Mundo reage à invasão do Capitólio: “Imagens inquietantes” e “ataque à democracia”

Líderes de vários governos e de organizações internacionais condenaram invasão do Capitólio por apoiantes de Donald Trump.

As imagens de centenas de apoiantes de Donald Trump a quebrarem as barreiras de segurança e invadirem o Capitólio, suspendendo, pela primeira vez na história dos Estados Unidos, a cerimónia de certificação dos votos do Colégio Eleitoral, foram condenadas internacionalmente, com pedidos de respeito pelo processo democrático.

“Acompanho com preocupação os desenvolvimentos em Washington. São imagens inquietantes. O resultado das eleições deve ser respeitado, com uma transição pacífica e ordeira do poder. Confio na solidez das instituições democráticas dos Estados Unidos”, escreveu o primeiro-ministro português, António Costa, no Twitter.

No mesmo sentido foram várias as vozes da União Europeia a condenar a invasão do Capitólio. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou que Joe Biden venceu as eleições presidenciais e, por isso, defendeu uma “transição pacífica de poder”, manifestando confiança na “força das instituições e democracia dos Estados Unidos”.

Já o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse estar sob choque” com a invasão “em tempo da democracia”, enquanto o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse que “aos olhos do mundo a democracia norte-americana surge sob cerco”.

“Cenas chocantes vindas de Washington. O resultado de eleições democráticas deve ser respeitado”, defendeu o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse estar “triste” e apelou aos líderes políticos para não incentivarem os seus apoiantes à violência, defendendo o “respeito pelo processo democrático e pelo Estado de direito”. 

Dos governos europeus surgiram mensagens de condenação à invasão do Capitólio e de apoio a Joe Biden.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar “triste” e “zangada” com com a invasão do Capitólio por multidão de apoiantes de Trump, lamentando que o Presidente cessante “não tenha admitido a derrota”. “As dúvidas sobre o resultado da eleição foram alimentadas” por Trump, acusou Merkel.

O Presidente da França, Emmanuel Macron, partilhou um vídeo no Twitter a condenar o ataque. “Não vamos ceder perante a violência dos poucos que querem questionar a democracia”, garantiu Macron, reforçando a “amizade” com os Estados Unidos.

O presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, reiterou a sua confiança na “força da democracia da América” e sublinhou que a “nova presidência de Joe Biden vai superar este momento de tensão, unindo o povo americano”.

Já o primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, denunciou o que considera ser um “ataque à democracia” e responsabilizou Trump e muitos membros do Congresso” pelo ataque.

No mesmo sentido, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Heiko Maas, disse que a violência foi causada pela retórica do Presidente cessante: “Trump e os seus apoiantes devem aceitar a decisão dos eleitores americanos e parar de atropelar a democracia.”

“A violência contra as instituições americanas é grave ataque à democracia, que eu condeno. A vontade e o voto do povo americano devem ser respeitados”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian.

“Cenas vergonhosas no Congresso. Os Estados Unidos apoiam a democracia por todo o mundo e agora é vital que haja uma transição pacífica e ordeira de poder”, disse, por seu turno, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Os governos de países aliados dos Estados Unidos, como Austrália, Canadá ou Israel também fizeram questão de manifestar solidariedade para com a democracia americana e condenar o que, nas palavras do primeiro-ministro australiano, foram imagens “angustiantes”.

“Condenamos estes actos de violência e esperamos uma transferência pacífica do governo para a administração recentemente eleita, conforme à grande tradição democrática americana”, sublinhou Scott Morrison.

No mesmo sentido, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse que os canadianos estão profundamente perturbados e tristes com o ataque à democracia nos Estados Unidos. “A violência nunca conseguirá anular a vontade do povo. A democracia deve ser mantida – e será”, reiterou Trudeau.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, condenou “vigorosamente” a invasão do Capitólio e disse não ter “nenhuma dúvida de que a democracia norte-americana vai triunfar”.

De Caracas também chegaram condenações à invasão do Capitólio: “A Venezuela expressa a sua preocupação com os violentos acontecimentos que tiveram lugar em Washington, nos Estados Unidos, e condena a polarização política, esperando que o povo americano possa abrir um novo caminho rumo à estabilidade e à justiça social.

Em sentido inverso, o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse que acompanhou os acontecimentos desta quarta-feira em Washington e salientou a sua proximidade de Donald Trump.

“Eu acompanhei tudo hoje. Vocês sabem que eu sou ligado ao Trump, não é? Então vocês já sabem qual a minha resposta”, disse Bolsonaro, citado pela Reuters.

Já a Rússia, através do seu vice-embaixador nas Nações Unidas, Dmitry Polyanskiy, fez uma comparação com as imagens das manifestações na Praça Maidan, na Ucrânia, em 2014, enquanto a Turquia emitiu um comunicado a condenar a violência e a apelar aos seus cidadãos para evitarem áreas onde decorram manifestações nos Estados Unidos.