Cortar o som a candidatos está fora de questão, mas canais vão apelar ao bom senso - e lembrar quem manda

Televisões dizem querer debates “animados”. mas que permitam aos espectadores perceber o que defendem os candidatos. Para isso, admitem que o som do microfone de quem gritar possa ser reduzido.

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LUSA/ANTÓNIO COTRIM

Depois da cacofonia em que se transformou o debate entre João Ferreira e André Ventura na TVI24, no sábado, com os dois candidatos a interromperem-se sucessivamente e a falarem cada vez mais alto para se sobreporem ao adversário, as três televisões generalistas decidiram passar a vincar as regras de funcionamento destes frente-a-frente aos candidatos antes de as câmaras se ligarem, mas sem que haja qualquer ameaça de cortar a voz, como chegou a ser definido nos Estados Unidos para o segundo debate entre Donald Trump e Joe Biden.

Questionado pelo PÚBLICO sobre o que fazer para evitar que a situação se repita, o director de Informação da TVI, Anselmo Crespo, disse que a TVI “terá o cuidado de alertar os candidatos de forma enfática que se quer um debate vivo mas esclarecedor e em que todos se respeitem”. O responsável admite que qualquer canal pretende ter debates “animados”, mas há uma diferença entre isso e um debate em que ninguém se entende ou sequer ouve.

Está fora de questão criar qualquer regra excepcional que permita desligar o microfone de algum interveniente. Os três microfones - dos dois candidatos e de quem modera - “estão sempre abertos”. “É suposto os telespectadores perceberem o que defende cada um. É normal os candidatos exporem as suas ideias com veemência, fazerem comentários aparte; outra coisa é estarem permanentemente a falar por cima do outro. Isso não pode continuar”, aponta Anselmo Crespo.

O apelo ao bom senso será também a solução da SIC. “Vamos falar com os candidatos antes do início do frente-a-frente para chamar a sua atenção para as regras”, conta Ricardo Costa, director de Informação da estação do grupo Impresa. “O pivot tem o direito de mandar calar o candidato ou candidata que não respeitar o outro e, no limite, mandar baixar o microfone para ambos.”

Esta é uma possibilidade técnica que na verdade sempre existiu. É uma decisão editorial de quem modera e de quem coordena a emissão na régie. Não tem efeitos no estúdio onde decorre o debate mas apenas na emissão a que o espectador assiste em casa. 

Calendário dos próximos debates:

Segunda-feira, 4 de Janeiro

Marcelo Rebelo de Sousa vs João Ferreira (TVI, 21h)

Marisa Matias vs Ana Gomes (SIC Notícias, 22h)

Vitorino Silva vs André Ventura (RTP3, 22h45)

Terça-feira, 5 de Janeiro 

João Ferreira vs Ana Gomes (RTP, 21h)

André Ventura vs Tiago Mayan (SIC Notícias, 22h)

Vitorino Silva vs Marisa Matias (RTP3, 22h45)

Quarta-feira, 6 de Janeiro

Marcelo Rebelo de Sousa vs André Ventura (SIC, 21h)

João Ferreira vs Tiago Mayan (TVI24, 22h)

Vitorino Silva vs Ana Gomes (RTP3, 22h45)

Quinta-feira, 7 de Janeiro

Marisa Matias vs André Ventura (SIC, 21h)

Ana Gomes vs Tiago Mayan (TVI24, 22h)

Vitorino Silva vs Marcelo Rebelo de Sousa (RTP3, 22h45)

Sexta-feira, 8 de Janeiro

Ana Gomes vs André Ventura (TVI, 20h50)

Marisa Matias vs João Ferreira (RTP, 21h30)

Vitorino Silva vs Tiago Mayan (RTP3, 22h45) 

Sábado, 9 de Janeiro

Marcelo Rebelo de Sousa vs Ana Gomes (RTP1, 21h)

Marisa Matias vs Tiago Mayan (SIC Notícias, 22h)

Vitorino Silva vs João Ferreira (RTP3, 22h45)

Terça-feira, 12 de Janeiro

Debate entre todos os candidatos (RTP, 22h)