Recolher obrigatório, teletrabalho e adiamento da abertura das escolas: Madeira responde ao aumento de casos de covid-19

Em Dezembro, o número de casos de covid-19 no arquipélago quase duplicou e as vítimas mortais subiram de duas mortes para 14. Novas medidas aplicam-se a três concelhos e entram em vigor às 0h desta terça-feira.

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Vai ser proibido circular entre as 23h e as 5h LUSA/HOMEM DE GOUVEIA

Restrições à circulação na via pública entre as 23h e as 5h, adiamento da reabertura das escolas em três concelhos (Funchal, Câmara de Lobos e Ribeira Brava), horário reduzido para bares e restaurantes, redução do trabalho presencial ao estritamente necessário na administração pública regional, suspensão de visitas aos lares e testagem massiva de professores, funcionários das escolas e, depois, alunos. A resposta do governo regional da Madeira ao aumento de casos positivos de covid-19 nas últimas semanas no arquipélago foi dada este domingo, que começou bem cedo.

À Quinta Vigia, sede oficial do executivo madeirense, chegaram logo pela manhã os autarcas dos três concelhos que estão em risco elevado – Miguel Silva Gouveia, do Funchal, Pedro Coelho, de Câmara de Lobos, e Ricardo Nascimento, Ribeira Brava –, que transmitiram ao governo do social-democrata Miguel Albuquerque as preocupações sobre a evolução da pandemia, pedindo medidas mais restritivas no combate à covid-19.

A Madeira passou de uma situação pandémica controlada – no final de Novembro tinham sido contabilizados 793 casos de infecção pelo SARS-CoV-2, resultando em duas mortes – para 1760 casos de covid-19 e 14 óbitos associados à doença. Nas últimas semanas, a região passou de uma medida diária de 20/30 casos para um crescimento superior a 50 infecções por dia.

“Apesar das medidas desenvolvidas pelas autoridades regionais e da colaboração da população, para assegurar a saúde pública, ao mesmo tempo que procurámos manter em funcionamento toda a actividade económica regional, protegendo desta forma os postos de trabalho, confirmou-se um aumento do número de casos”, avançou ao início da tarde deste domingo, em comunicado, o governo madeirense, justificando a necessidade de “introduzir mais medidas” de combate à propagação do vírus.

Porque, sublinha o executivo PSD/CDS, apesar de a vacinação estar em curso, mas medidas de segurança sanitária não podem ser relaxadas.

Assim, a Madeira vai impor novas medidas aos três concelhos de maior incidência de casos. A primeira, passa por adiar o início do segundo período lectivo, que estava programado começar esta segunda-feira, dia 4 de Janeiro

“O governo decidiu que a abertura das aulas deve ser progressiva, no sentido de permitir às autoridades de saúde uma avaliação concentrada e dedicada da situação”, explica o comunicado, adiantando que, à medida que os testes foram sendo realizados, os estabelecimentos de ensino serão abertos. “As equipas de testagem irão iniciar o seu trabalho na manhã de segunda-feira, dia 4 de Janeiro, nos três municípios identificados, com o objectivo de rastrear os mais de 6.000 professores e auxiliares educativos”, acrescenta o documento, sem precisar quando, e em que moldes, os alunos serão também testados à covid-19.

Na última quinta-feira, dia em que a vacinação arrancou na região autónoma, Miguel Albuquerque anunciou que a Madeira ia utilizar parte do stock de 100 mil testes antigénio para testar as cerca de 52 mil pessoas que compõem o universo escolar da Madeira: 42 mil alunos, seis mil professores e quatro mil funcionários não docentes. Serão estes testes, que permitem conhecer os resultados em cerca de meia hora, que serão utilizados neste processo, que o executivo perspectiva estar concluído até ao dia 11 de Janeiro.

Mas as medidas restritivas não se esgotam no ensino. O teletrabalho, até agora residual na administração pública regional, vai ser incentivado. ”A administração pública regional irá reduzir ao mínimo, a partir de amanhã [segunda-feira], o trabalho presencial dos seus colaboradores, optando, nos casos possíveis, pelo teletrabalho, até 15 de Janeiro”, indica o governo, que decidiu suspender, até à mesma data, as visitas aos lares, cujos profissionais e utentes começam a ser vacinados a partir desta segunda-feira.

O executivo acrescenta que “há também restrições aos horários de funcionamento de bares e restaurantes (limitados às 22h30) e proibição de circular entre as 23h e 5h em toda a região autónoma”.

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