Uma vacina atrás da outra no S. João: “Está tudo a correr lindamente”

Plano de vacinação contra a covid-19 arrancou este domingo em cinco centroshospitalares. No S. João, uns atrás dos outros, os funcionários aguardam, tomam a vacina e voltam a aguardar, garantindo que está tudo bem. Até meio da manhã, tudo corria sobre rodas.

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A enfermeira Maria da Glória Miguel está “de chamada” no serviço de enfartes do Centro Hospitalar de S. João Paulo Pimenta
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António Sarmento, director do serviço de Infecciologia do S. João, recebeu a primeira vacina contra a covid-19 Paulo Pimenta
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Chegada das vacinas ao Hospital de S. João Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

A enfermeira Maria da Glória Miguel está “de chamada” no serviço de enfartes do Centro Hospitalar de S. João, no Porto, mas, pouco antes das 11h era uma das muitas pessoas que aguardavam nas salas de espera de acesso às zonas K2 e K3, para receber a vacina contra a covid-19. Habitualmente cheias de pacientes, as cadeiras das salas de espera do serviço de consultas externas do S. João estavam, este domingo, cheias de profissionais desta unidade de saúde, que irão tomar a vacina ao longo de todo o dia e até às 20h. Por enquanto, está “tudo a correr lindamente”, garantiu a enfermeira Luzia Garrido, enquanto vacinava a colega Maria da Glória. A oitava do dia para ela. “Não senti nada, mesmo nada”, dizia esta, satisfeita, antes de se dirigir à sala de recobro, para aguardar a meia hora exigida antes de poder regressar a casa.

O plano de vacinação contra a covid-19 arrancou este domingo em cinco centros hospitalares do país do Porto, Lisboa e Coimbra. A ministra da Saúde, Marta Temido, assistiu ao momento simbólico em que António Sarmento, director do serviço de Infecciologia do S. João, se tornou a primeira pessoa em Portugal a receber a vacina da BioNTech-Pfizer. Disse-se honrado e “muito tranquilo”, lembrando que esta não é a primeira vacina nova que vê surgir ao longo da sua carreira. Esperando as reacções habituais a outra qualquer vacina que pode passar por algum mal-estar ou até febre , apelou a que as pessoas confiem no processo em curso.

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Enfermeira Maria da Glória Miguel Paulo Pimenta

Também a enfermeira que lhe administrou a vacina, Ana Isabel Ribeiro, se mostrou satisfeita com a chegada deste dia que, disse, traz “um novo alento para continuar” o trabalho iniciado há meses. De serviço à vacinação, enquanto aguarda ela mesma para ser vacinada, pelas 15h36, estava pronta para encarar o dia de trabalho atípico no S. João, com a certeza que está a iniciar-se o que pode ser a mudança há muito esperada. “Tem sido talvez o ano mais difícil das nossas carreiras. Acho que esta vacina é uma esperança para continuarmos o nosso combate”, disse ao batalhão de jornalistas que assistiram ao momento simbólico do arranque da operação.

Pelos corredores da zona de consultas externas, assistia-se ao burburinho de todos os que aguardavam a sua vez para serem vacinados. À chegada, cada pessoa recebe uma folha com um conjunto de informações sobre a administração da vacina e algumas perguntas que garantem que ninguém com contra-indicações para a sua toma será afectado. Encaminhados para a sala de espera das áreas K2 e K3, são depois chamados pelo nome para um dos 25 gabinetes onde, até às 20h, se espera que sejam vacinados 2125 funcionários do S. João tantos como as doses disponíveis para já nesta unidade de saúde.

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A enfermeira Ana Isabel Ribeiro administrou a primeira vacina da covid-19 em Portugal. Também ela vai ser vacinada este domingo, pelas 15h36 Paulo Pimenta

A enfermeira Ângela Medeiros foi parar ao gabinete de Lisete Nogueira, a quem confessou não ter “uma relação muito boa” com agulhas. Mas não houve problemas. Administrada a vacina, não sentiu qualquer mal-estar e, pouco depois, seguia para a área de recobro, onde dezenas de outras pessoas já se encontravam. Incluindo a auxiliar das urgências Maria da Conceição Castro, de 59 anos.

Confessando alguma apreensão sobre eventuais efeitos adversos da vacina, não se recusou a integrar o primeiro grupo de vacinados do país. “O que assusta um bocadinho é reacção que possa vir a ter, e que é desconhecida. É uma coisa nova, mas estou com fé. Os meus colegas estão ansiosos que eu chegue lá abaixo, para contar como foi”, disse.

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Preparação para a administraçãod de vacinas Paulo Pimenta

Por esta altura, já Marta Temido abandonava o hospital, para se dirigir ao Hospital de Santo António. Numa curta intervenção após a aplicação da primeira vacina, a ministra salientou a “capacidade de trabalhar em conjunto”, aos mais diversos níveis, que permitiu que se chegasse a este momento, em tempo recorde.

Marta Temido admitiu que até ao final desta semana deverá haver novidades sobre datas mais concretas para o arranque da vacinação nas estruturas residenciais para idosos (para profissionais e residentes), garantindo, contudo, que ela acontecerá ainda durante o mês de Janeiro. E pediu que cada português aguarde “com tranquilidade” a sua vez de ser vacinado.

No S. João, uns atrás dos outros, os funcionários aguardam, tomam a vacina e voltam a aguardar, garantindo que está tudo bem. Até meio da manhã, tudo corria sobre rodas. No gabinete da enfermeira Luzia Garrido, sentia-se o optimismo. “Estamos todos a trabalhar em equipa, como tem de ser nestas circunstâncias, porque isto é algo a bem da comunidade. É um bem individual e institucional, mas sobretudo comunitário”, disse, lembrando que quem se protege, está a proteger os outros.