“Vacina-te e vai”: Ryanair usa a vacina para promover voos

Ryanair não perde a oportunidade, mas nova campanha já causou dúvidas e confusão noutros mercados: em Itália ou Reino Unido pergunta-se se está implícito que será obrigatório estar vacinado para poder voar.

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Promete-se “um milhão de lugares” a 19,99 euros. Promete-se a oferta da taxa de alteração, como tem sido habitual durante a pandemia. Mas se estes valores e vantagens poderiam chegar noutros tempos para vender bilhetes, os tempos são outros e o slogan vai mais longe: “As vacinas estão a chegar, vacina-te e vai”.

Conhecida por algumas campanhas ora sarcásticas ora polémicas, numa altura em que os lotes para vacinação começam a chegar a vários países —​ a Portugal chegou este sábado o primeiro —, a Ryanair não se inibe de usar uma mão enluvada a segurar a vacina e a seringa. O anúncio foi publicado no site da empresa e distribuído pelas redes sociais.

A versão portuguesa da campanha, que promete passagens a preços mínimos para voar de 1 de Abril a 31 de Outubro, foi destacada este sábado de manhã no Facebook, sem reacções a assinalar.

Mas noutros países, a campanha já fomentou pelo menos uma dúvida: quererá o slogan dizer que será obrigatório tomar a vacina antes de voar? Em Itália, segundo o La Repubblica, muitos utilizadores interpretaram o slogan como indicação de que será obrigatório levar uma punturina para poder voar. No próprio Facebook do jornal de referência italiano somam-se mais de quatro mil comentários, grande parte deles dividindo-se entre apoiantes e contestatários de tal obrigação, como se esta fosse caso assumido.

Na versão em inglês, com direito a anúncio televisivo, a expressão é Jab and Go e também originou a mesma confusão e alguma polémica nas redes sociais entre pró e anti-vacinas. Por curiosidade, mas sem surpresas, claro, o anúncio televisivo usa imagens de Portugal para promover as viagens estivais. No Twitter não faltam comentadores. 

Mas assinale-se o providencial humor britânico, aqui exemplificado em comentário do utilizador Dr Matt: "Estou surpreendido que não estejam a oferecer a vacina como parte do serviço de bordo pelo preço low cost de 80 libras".

Mas o certo é que, a não ser que haja novidades neste campo em breve, a “obrigação” de vacina não é a política defendida pela Ryanair para os voos de 2021. Após a australiana Qantas ter defendido a exigência do certificado de vacina, a própria Ryanair manifestou-se contra tal exigência para os voos internos da União Europeia.

“Nenhum certificado de vacinação será necessário para voos de curta duração” na Europa, garantia no final de Novembro ao Irish Times a companhia aérea, após o jornal ter solicitado um comentário oficial sobre a questão. O próprio chefe, Michael O'Leary, também adiantou a sua opinião por essa altura, mas à RTE, a televisão pública irlandesa, sobre a obrigação de vacinação para poder realizar um voo: “Duvido que seja aplicável aos voos de curta duração”.