Jogos com História: A guerra parou ao ritmo do futebol?

O final do mês de Dezembro de 1914 encontrou milhões de homens semi-enterrados em trincheiras nos campos europeus, chacinando-se sem piedade em constantes e improfícuos ataques e contra-ataques. Então os soldados “decidiram” parar por uns dias. A célebre “trégua de Natal” foi um movimento espontâneo e fugaz. E ainda hoje se discute o verdadeiro papel do futebol neste episódio histórico.

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Cerimónia evocativa dos futebolistas internacionais ingleses que serviram as forças armadas do Reino Unido durante I Guerra Mundial Andrew Boyers/Reuters

O frade dominicano Giordano Bruno foi um téologo, filósofo, matemático, poeta e ocultista do século XVI. Pensou, disse e escreveu muitas coisas – algumas das quais não terão agradado à Inquisição, que o executou na fogueira – e é da sua pena que saiu a expressão “se non è vero, è molto ben trovato”, ou seja, em português, “se não é verdade, está muito bem inventado”. A máxima aplica-se a respeito de alguma afirmação verosímil ou narrativa bem elaborada mas que pode não ser verdadeira. E sintetiza às mil-maravilhas o debate sobre o que se passou nas trincheiras da Flandres no Natal de 1914. O célebre jogo (ou jogos) de futebol entre britânicos e alemães realizou-se mesmo ou é um mito?