Libertado grupo de 344 estudantes raptado pelo Boko Haram na Nigéria

Governador de Katsina disse que não foi disparado um único tiro durante a operação de resgate. Jovens foram examinados por equipas médicas e começaram a regressar à cidade de Kankara, de onde foram raptados há uma semana.

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Estudantes regressaram a Kankara depois de serem examinados por médicos STRINGER/EPA
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Reuters/AFOLABI SOTUNDE
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Manifestantes exigem libertação dos estudantes e criticam faltam de segurança no país Reuters/AFOLABI SOTUNDE

Mais de 300 rapazes raptados na sequência de um ataque a uma escola secundária no Noroeste da Nigéria foram libertados na quinta-feira, anunciou o governador do estado de Katsina.

“Estamos muito felizes por anunciar o resgate dos rapazes de Kankara. Pelo menos 334 estão já com agências de segurança e serão levados para Katsina”, afirmou Aminu Bello Masari na rede social Twitter. “Eles terão a atenção e cuidados médicos adequados antes de se reunirem com as suas famílias”, acrescentou o governador.

Os jovens foram raptados a 11 de Dezembro, após um ataque a um colégio interno masculino na cidade Kankara, no estado de Katsina, causando enorme indignação entre os nigerianos, que criticaram a falta de segurança no país.

Inicialmente, o rapto foi atribuído a um grupo de criminosos que poderiam querer fazer um pedido de resgate pelos jovens. Na terça-feira, no entanto, o ataque seria reivindicado pelo Boko Haram, o grupo jihadista que tem espalhado terror no Nordeste da Nigéria, onde tentou instalar um califado.

O grupo jihadista chegou mesmo a divulgar um vídeo em que se vê um dos rapazes que foi raptado. Em inglês e em hausa (idioma falado naquela região da Nigéria), o jovem diz que é um dos estudantes raptados pelo grupo do líder do Boko Haram, Abubakar Shekau.

Durante o ataque do passado fim-de-semana, segundo o The Guardian, estavam mais de 800 estudantes no interior da escola secundária, mas várias centenas conseguiram escapar. Não é certo, contudo, que todos os jovens tenham sido libertados, apesar de essa ser a convicção das autoridades nigerianas.

Em declarações aos jornalistas após o anúncio da libertação dos 344 rapazes, o governador do estado de Katsina deu alguns pormenores sobre a operação de resgate, revelando que os jovens estiveram reféns num bosque em Tsafe, no estado de Zamfara.

Aminu Bello Masari disse ainda que as forças de segurança nigerianas isolaram a área onde os jovens estavam presos, tendo recebido ordens para não disparar qualquer tiro. Através de um “contacto indirecto” com os atacantes, foi possível o resgate.

“Agradecemos a Deus por terem seguido o nosso conselho. Não foi disparado um único tiro”, congratulou-se Masari.

Os jovens foram examinados por equipas médicas e começaram a regressar a Katsina esta sexta-feira.

“Estou tão feliz”, disse à Reuters Shuaibu Kankara, uma profissional de saúde reformado cujo filho Annas Shuaibu, de 13 anos, estava entre os estudantes raptados.

“Estamos muito gratos ao governador de Katsina e a todos aqueles que trabalharam arduamente para garantir a sua libertação”, acrescentou.

O Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, congratulou-se com a operação de resgate, descrevendo a libertação dos jovens como um “grande alívio para todo o país e para todo a comunidade internacional”, deixando palavras de agradecimento ao governador Masari e às forças de segurança.

Numa publicação no Twitter, Buhari deixou ainda uma mensagem aos nigerianos que criticaram a falta de segurança existente no país, pedindo paciência e confiança nas autoridades.

“A nossa administração está plenamente ciente da responsabilidade que temos em proteger as vidas e propriedades dos nigerianos. Peço que sejam pacientes e justos connosco, enquanto lidamos com os desafios da segurança, economia e corrupção. Não vamos ceder”, afirmou Buhari.

O rapto dos estudantes de Katsina trouxe à memória dos nigerianos as 276 raparigas de Chibok, raptadas das suas escolas em Abril de 2014. Actualmente, 112 destas jovens continuam desaparecidas, sendo que a primeira apenas foi resgatada dois anos após o rapto.

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