Covid-19: cientistas portugueses criam teste de diagnóstico rápido a partir da saliva

Através de uma mudança de cor visível a olho nu, tecnologia permite detectar infecções em menos de uma hora.

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Teste à covid-19 Reuters/GUGLIELMO MANGIAPANE

Uma equipa de cientistas portugueses criou um teste de saliva que permite detectar ao fim de 30 minutos ou uma hora, através de uma alteração de cor, se uma pessoa está infectada pelo novo coronavírus, foi anunciado esta sexta-feira.

O teste de diagnóstico da covid-19 com base na recolha de saliva foi desenvolvido por uma equipa do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) António Xavier da Universidade Nova de Lisboa, em colaboração com o Laboratório de Bromatologia e Defesa Biológica do Exército e o Hospital das Forças Armadas.

Um primeiro rastreio-piloto com este teste será feito esta sexta-feira com voluntários do ITQB, anunciou a instituição numa nota de imprensa.

O teste, aplicado directamente em amostras de saliva, utiliza uma tecnologia que permite, através de uma mudança de cor visível a olho nu, saber em 30 a 60 minutos se uma pessoa está ou não infectada com o SARS-CoV-2, o coronavírus que provoca a doença covid-19.

“Se a reacção tiver resultado rosa, o teste é negativo. Se for amarelo, é positivo”, refere a nota do ITQB, assinalando que o teste é “particularmente adequado” ao despiste da covid-19 em aeroportos, lares ou escolas, dada a sua “rapidez, sensibilidade, facilidade de colheita e custo reduzido”.

A recolha é feita pela pessoa, que cospe a saliva para um recipiente, dispensando o uso de zaragatoas e o recurso a pessoal especializado.

A testagem directa das amostras de saliva possibilita detectar, em cada teste, “menos de 100 cópias do vírus”, com “uma sensibilidade de 85%”, permitindo “avaliar a infecciosidade da pessoa no momento”, garante a instituição.

Optando-se por extrair, em complemento, material genético do SARS-CoV-2 da saliva, a sensibilidade do teste aumenta para 100%, assegura o ITQB.

O teste, que assenta numa tecnologia que amplifica o material genético do coronavírus a uma “temperatura constante”, pode ser realizado com recursos básicos, como uma placa eléctrica ou um banho-maria a 65 graus Celsius.

Para que possa ser usado pela população, o teste terá ainda de ser validado e aprovado pelas entidades competentes.

O projecto foi financiado em 35 mil euros pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, ao abrigo do concurso direccionado para a investigação da covid-19 “Research4Covid-19”.

A utilização da saliva como meio de diagnóstico da covid-19 está também a ser estudada pelo Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em colaboração com os hospitais Dona Estefânia, em Lisboa, e Amadora-Sintra.

O estudo prevê testar 300 pessoas, 33% das quais infectadas, de todas as faixas etárias. 

Até ao momento, o procedimento “foi validado em cerca de 80 pessoas hospitalizadas onde, entre outros, se comparou a eficácia da saliva face à amostra nasofaríngea, tendo sido obtidos resultados muito promissores”, segundo um comunicado do IGC divulgado na sexta-feira.

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