Covid-19. Vacinação arranca mais cedo e profissionais de saúde são os primeiros a ser vacinados já em Dezembro

Vacinação deverá começar entre 27 e 29 de Dezembro. O primeiro lote de vacinas da Pfizer vai ter 9750 doses. Está previsto que mais 303 mil cheguem a partir de 4 de Janeiro.

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LUSA/RODRIGO ANTUNES

A vacinação contra a covid-19 vai arrancar mais cedo do que o previsto, anunciou esta quinta-feira a ministra da saúde, depois de uma reunião para actualizar a estratégia nacional. As primeiras doses da vacina da Pfizer, que se espera que seja aprovada no início da próxima semana, vão ser atribuídas as profissionais de saúde que estão na linha da frente no combate à pandemia.

“Neste momento, a previsão para atribuição do parecer [por parte da Agência Europeia do medicamento à vacina da Pfizer] está apontada para dia 21 Dezembro e a previsão de autorização para introdução no mercado está prevista para dia 23 de Dezembro”, disse Marta Temido, adiantando que de acordo a empresa farmacêutica as primeiras doses poderão chegar a Portugal no dia 26 de Dezembro “e que possamos começar vacinar entre 27 e 29 Dezembro”.

Um primeiro passo para um processo há muito aguardado, mas que começará com um número de doses inferior ao inicialmente previsto, depois de a empresa ter anunciado uma redução de 20% das doses disponíveis. No total serão entregues até ao final de Janeiro 312.975 doses da vacina Pfizer. O primeiro lote a chegar ao país terá 9750 doses, prevê-se a chegada de mais 303.225 doses no início de Janeiro, a partir do dia 4.

Quanto às primeiras vacinas, e por ser uma quantidade reduzida, houve uma estratificação entre os grupos prioritários que já tinham sido definidos pela Comissão técnica de Vacinação Contra a Covid-19. “Estamos a ultimar processo de selecção do grupo que vai ser vacinado nos primeiros dias. Será focado na componente dos profissionais de saúde, na medida em que são os profissionais da primeira linha aqueles que podem ajudar a proteger melhor os restantes”, disse Marta Temido.

“Está estipulado que se dirijam aos profissionais de saúde que estiveram envolvidos nos serviços de combate à covid”, referiu a ministra, explicando que nesta primeira fase estão a ser identificados “os profissionais de saúde mais sujeitos ao risco de contrair a doença”.

“Esta estratificação está a ser feita pela Direcção-Geral da Saúde e segue critérios de exposição: unidades de cuidados intensivos, urgência, atendimento a doentes respiratórios covid comunitário [centros de saúde] e hospitalar. Profissionais que trabalham em unidades onde há maior risco libertação de aerossóis e contactos com doentes contagiados com covid”, exemplificou Marta Temido, lembrando que “uma semana depois processo [de vacinação] será alargado”.

Linhas de apoio

Nesse sentido, a ministra assegurou que serão respeitadas as prioridades que foram definidas clinicamente. E o que ficou definido, lembrou, “esta primeira fase iria abranger os profissionais de estruturas residenciais para idosos, os profissionais de saúde, os residentes destas estruturas para idosos e depois as pessoas que, com mais de 50 anos, reúnem uma ou mais de várias patologias”. “Essa definição de grupos prioritários mantém-se”, garantiu.

Questionada sobre possíveis reacções adversas que possam acontecer, à semelhança do que tem acontecido em países onde a vacina já está a ser administrada, Marta Temido estão a criar mecanismos adequados ao seu registo “A preocupação antes da administração da vacina é que o profissional de saúde que a administra possa recolher da parte da pessoa vacinada informação de saúde que permita a vacinação em segurança”, explicou.

A Direcção-Geral da Saúde também está a preparar um manual de vacinação que será publicado o mais tardar no próximo domingo e vão ser criadas linhas de apoio que deverão estar disponíveis em Janeiro para esclarecinento de dúvidas. “O que pretendemos é que este processo decorra criando nos utilizadores a maior tranquilidade possível. A Serviços Partilhados do Ministério da Saúde está a desenvolver mecanismos de contacto com os utentes para efeitos de facilitação deste processo e nos primeiros dias de Janeiro estimamos que esses instrumentos estejam disponíveis.”

“Relativamente ás questões da comunicação e da disponibilidade de um local único, designadamente um site, para apoiar o processo de vacinação e para ser também um interface de relação com quem procura informação, isso é um dos aspectos comunicacionais que está a ser tratado e que irá ser acautelado”, disse também.

Mais locais de vacinação

De acordo com o calendário previsto, espera-se que até ao final do primeiro trimestre do próximo ano cheguem a Portugal um pouco mais de 1,2 milhões de doses da vacina Pfizer. Por essa altura, o Governo conta também já ter doses da vacina da Moderna, cujo parecer da Agência Europeia do Medicamento se espera em breve.

Para já, e dado o número limitado de doses que vai chegar, a vacinação vai concentrar-se nos centros de saúde como estava previsto. Mas no futuro, tal como já tinha explicado o coordenador da task force Francisco Ramos, os locais de vacinação poderão ser alargados, envolvendo por exemplo as farmácias comunitárias.

“Num contexto em que haja maior quantidade de vacinas no mercado, essa transição de locais é natural, desejável e poderá acontecer. Agora neste momento, em que estamos a gerir um processo que tem ainda há escassez de quantidades, o processo centralizado e pelas vias mais tradicionais é o que está definido. Mas nesta matéria, como noutras, contamos com as farmácias”, afirmou Marta Temido.

A ministra assegurou ainda que os consumíveis necessários para a vacinação – a vacina da Pfizer vem em frascos multidose - “o kit está definido e as aquisições e o reforço das aquisições está a ser realizado. Ainda sobre o não envolvimento das forças armadas no transporte das vacinas, a ministra explicou que “o transporte de medicamentos são operações sofisticadas que envolvem características técnicas próprias e será feita pela rede de transportadores própria” desta área.

Mas haverá “o apoio das forças de segurança para garantir que esse processo de transporte está devidamente prevenido relativamente as qualquer intercorrência que possa por em causa a segurança das vacinas ou do processo vacinal”, assegurou Marta Temido.