Acha que devo vacinar-me? A vacina é realmente segura? Ou poderá ser ainda pior que a própria doença?

Continuamos a não ter nenhum tratamento específico para a covid-19 e a vacinação é a nossa melhor esperança.

Agora que o Governo nos diz que rapidamente teremos em Portugal vacinas disponíveis para a covid-19, e quando já sabemos que a vacina da Oxford-AstraZeneca foi aprovada no Reino Unido e que a vacina da BioNTech-Pfizer foi aprovada nos EUA (e, depois, a da Moderna), os médicos são habitualmente questionados pelos seus doentes, amigos e familiares com estas três perguntas.

Os resultados preliminares do estudo fase 3 da vacina da Oxford-AstraZeneca foram publicados no The Lancet no dia 8 de Dezembro e os resultados da vacina da BioNTech-Pfizer foram publicados no New England Journal of Medicine no dia 10 de Dezembro. Duas das revistas médicas de maior prestígio mundial. Ambas vacinas mostram uma eficácia de cerca de 95% na redução da infecção em adultos, tanto em casos leves como graves. Sabemos que a protecção dura pelo menos quatro meses depois da primeira dose, ignoramos por quanto mais tempo durará a protecção, mas admitimos que não será inferior a um ano. A propósito, aqueles que já tiveram a infecção, não sendo prioritários, devem também vacinar-se porque não é fácil avaliar qual o seu nível de protecção e sabemos que a reinfecção é possível.

Sobre a segurança, gostaria de recordar que as pessoas que formam estes comités de avaliação, tanto para a FDA (EUA) como para EMA (UE), são independentes das companhias farmacêuticas e da administração, de reconhecida integridade ética e alto valor científico. Os seus relatórios finais são públicos, assim como a orientação do voto de cada um dos integrantes. É bom não esquecer que se trata duma Autorização para Uso de Emergência, dadas as consequências devastadoras da pandemia, tanto para a saúde pública como para a economia e a vida em geral. Os hospitais estão sobrecarregados com doentes covid-19 e, consequentemente, outras patologias muito importantes estão a ser proteladas (oncologia, cardiovasculares, psiquiatria, obstetrícia, urologia, etc.) no seu estudo e tratamento com consequências muitas vezes irrecuperáveis.

Para aqueles que continuam a falar de excessivas “pressas” e de falta de conhecimento sobre efeitos secundários das vacinas a longo prazo, gostaria de recomendar-lhes que voltassem a ver o discurso recente da chanceler Angela Merkel no Parlamento do seu país e recordar-lhes que as capacidades científicas actuais são bem diferentes de tempos passados, quando outras vacinas foram produzidas. Recordar ainda os investimentos bilionários feitos conjuntamente pelas companhias farmacêuticas, governos e organizações filantrópicas. Tem sido este enorme esforço científico, financeiro e de colaboração internacional que nos possibilitou chegar, em tão poucos meses, a poder iniciar este tempo de vacinação que nos permita que o Natal de 2021 seja vivido em bem melhores condições de saúde, de economia, de trabalho e de Felicidade.

Uma palavra final sobre o medo da vacinação aos efeitos secundários a longo prazo. Todas as vacinas, como qualquer outro medicamento, podem ter efeitos secundários adversos. Geralmente, as vacinas têm três períodos de prováveis efeitos secundários. Os efeitos imediatos são locais, de pouca importância e geralmente desaparecem em 24 horas (excepto em casos de sujeitos com história conhecida de alergias!). Os efeitos intermédios podem aparecer uns dias depois e não aconteceram com estas vacinas. Os efeitos de longo prazo, 95% acontecem ao fim de 30 a 45 dias depois da administração da vacina. Nenhuma das vacinas de que falamos foi aprovada sem que tivessem passado mais de 60 dias depois da administração da última dose e os possíveis efeitos secundários adversos que aconteceram não contra-indicam a sua utilização. Compreende-se que poderemos sentir-nos mais confortáveis depois de vários milhões de pessoas terem sido vacinadas. Mas não tenhamos dúvidas que os programas de vacinação vão ser iniciados com toda a segurança.

Gostaria de terminar recordando que continuamos a não ter nenhum tratamento específico para a covid-19 e que a vacinação é a nossa melhor esperança. Sem tratamentos e antes de ter iniciado o programa de vacinação, permitam-me um conselho de amizade: continuem a usar máscaras, mantenham a distância física e a higiene de mãos e celebrem este Natal com contenção. Será a única maneira de que no Natal de 2021 não falte à mesa nenhum dos vossos familiares e amigos.