Ana Gomes pedirá reapreciação da legalidade do Chega se for eleita Presidente

Candidata à Presidência da República acusa o partido de André Ventura de ter um discurso racista e xenófobo.

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Daniel Rocha

A candidata presidencial Ana Gomes afirmou nesta segunda-feira que, se for eleita, irá dirigir uma mensagem à Procuradoria-Geral da República pedindo uma reapreciação da legalidade do partido Chega. 

“O Chega nunca deveria ter sido legalizado. E porquê? Porque é um partido que claramente tem um discurso xenófobo, racista, quer confinar as pessoas de etnia cigana, e tem, sobretudo, um propósito de destruir a democracia”, afirmou numa entrevista a Miguel Sousa Tavares, na TVI e na TVI24. Depois de citar algumas propostas do programa de Governo do Chega, a ex-eurodeputada socialista disse não perceber “como o Tribunal Constitucional o legalizou”. 

“Posso assumir desde já um compromisso: sendo eleita, uma das primeiras atitudes que tomarei será dirigir uma mensagem à senhora procuradora-geral da República (…) pedindo uma reapreciação da legalidade do Chega, não apenas, pelo programa (…), mas também pela sua prática reiterada xenófoba, racista, violenta. Olhe como é por aqueles de que nos queixamos agora no SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras]”, afirmou. 

Ana Gomes diz ainda que nunca posse daria posse a um Governo do PSD/CDS com o apoio parlamentar do Chega. “Essa é uma grande diferença de Marcelo Rebelo de Sousa. Nunca replicaria aquilo que ele admite replicar, que ele foi artífice nos Açores”, acrescentou. 

Ana Gomes diz que não faltará aos debates televisivos com o André Ventura, líder do Chega, mas não lhe estenderá a mão: “Darei um cumprimento sanitário, como por exemplo assim [baixar a cabeça], de cortesia elementar para quem como eu fui diplomata. (…) Agora, apertar a mão nem era preciso o contexto sanitário (…), tenho também linhas vermelhas [quanto] a quem aperto a mão.” 

Ana Gomes defendeu ainda que projecto de recuperação da TAP fosse discutido no Parlamento.