Black Lives Matter: um Verão de luta pela justiça racial na América

A sociedade americana testemunhou, no Verão de 2020, um movimento geracional contra a discriminação e o racismo que ultrapassou fronteiras. Mesmo em pandemia, os protestos Black Lives Matter mobilizaram milhares a saírem à rua. A Reuters passa o ano em revista.

violencia-policial,estados-unidos,racismo,eua,protestos,america,
Fotogaleria
Um manifestante levanta o punho enquanto segura uma bandeira dos Estados Unidos da América durante um protesto contra a desigualdade racial depois da morte de George Floyd sob custódia policial em Nova Iorque, EUA 9 de Junho de 2020 Reuters/IDRIS SOLOMON
violencia-policial,estados-unidos,racismo,eua,protestos,america,
Fotogaleria
Leah Millis/Reuters

O Verão de 2020 testemunhou alguns dos maiores protestos em defesa de justiça racial e dos direitos civis nos Estados Unidos numa geração.

A nação americana assistiu horrorizada ao vídeo da morte de George Floyd, um homem negro asfixiado por um polícia que se ajoelhou no seu pescoço durante quase nove minutos. 

A morte de Floyd, no dia 25 de Maio, em Mineápolis​, forçou um novo confronto nacional com a injustiça racial e aumentou o reconhecimento do movimento Black Lives Matter, que emergiu nos últimos anos para protestar contra a morte de afro-americanos sob custódia policial.

Apesar da pandemia de covid-19, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas para exigir mudança – primeiro em Mineápolis, depois em Nova Iorque, Washington, Portland e em várias outras cidades –, muitas delas entoando as palavras finais de Floyd: “Não consigo respirar!”. As manifestações foram maioritariamente pacíficas mas, com o acumular da ira, alguns manifestantes entraram em confronto com a polícia e lojas foram pilhadas ou incendiadas.

Monie Scott ergue o punho enquanto chove e pessoas cantam à sua volta num memorial de George Floyd, criado no lugar onde foi apreendido e morto em Minneapolis, Minnesota, EUA, 2 de Junho de 2020 REUTERS/Leah Millis
REUTERS/Leah Millis
Reuters/Kathleen Flynn
Stephane Mahe/Reuters
Caitlin Ochs/Reuters
Fotogaleria
REUTERS/Leah Millis

O Presidente republicano Donald Trump criticou os protestos e prometeu repor a lei e a ordem, embora as sondagens mostrassem que a maioria dos cidadãos americanos apoiava o movimento Black Lives Matter.

Em Junho, forças de segurança americanas usaram gás pimenta para afastar os manifestantes das proximidades da Casa Branca, para que o Presidente pudesse completar o percurso até à St. John’s Church e tirar uma fotografia a segurar uma Bíblia. Dias depois, a mayor de Washington mandou pintar “Black Lives Matter” em enormes letras amarelas na rua principal que leva à Casa Branca.

Foto
O president Donald Trump passa por grafittis em direcção à Igreja Episcopal de St. John’s ao pé da Casa Branca durante os protestos contra a morte de George Floyd, em Washington, EUA, 1 de Junho de 2020 REUTERS/Tom Brenner

Foram também organizadas manifestações anti-racistas em solidariedade para com o povo americano em cidades como Bruxelas, Londres e Lisboa.

Estátuas com referência ao período da escravatura foram derrubadas 

A pressão gerada pelos protestos levou a que alguns departamentos da polícia dos Estados Unidos banissem o uso de técnicas de estrangulamento. Alguns distritos escolares, incluindo em Mineápolis, cancelaram contratos com departamentos da polícia. Cidades como Boston, Nova Iorque e São Francisco propuseram redirigir alguns dos fundos alocados à polícia para outras prioridades da comunidade. Ainda assim, as reformas a nível nacional permanecem escassas.

Foto
Manifestantes usam guarda-chuvas na linha da frente de uma barricada de polícias e guarda nacional durante os protestos contra a morte de George Floyd, em Seattle, Washington, EUA, 3 de Junho de 2020 REUTERS/Lindsey Wasson
Foto
“Black Lives Matter” pintado em amarelo na rua em Brooklyn em Nova Iorke, EUA, 26 de Junho de 2020 REUTERS/Lucas Jackson

Houve também um foco renovado no legado da guerra civil de 1861-1865. Monumentos a figuras esclavagistas da Confederação foram retirados ou derrubados por manifestantes. A Nascar baniu o uso da bandeira da Confederação, um símbolo de escravatura e supremacia branca para muitos americanos.

Várias empresas prometeram mais de 1,7 mil milhões de dólares para causas de justiça racial e social e procuraram remodelar as suas imagens públicas.

Um carro do departamento policial de Nova Iorque arde enquanto manifestantes brigam com a policia durante os protestos contra a morte de George Floyd em Nova Iorque, EUA 30 de Maio de 2020 REUTERS/Jeenah Moon
Caitlin Ochs/Reuters
Andrew Kelly/Reuters
Fotogaleria
REUTERS/Jeenah Moon

Os atletas negros estiveram na vanguarda do movimento. Tanto a Associação Nacional de Basquetebol feminina como a masculina, bem como as ligas de basebol e futebol, adiaram jogos em solidariedade com os manifestantes.