O que valem os rivais de Portugal na rota para o Mundial 2022?

O sorteio da fase de qualificação do Mundial 2022 mostrou que ser cabeça-de-série é uma regalia de inegável utilidade. Portugal é, segundo Fernando Santos, o “favorito evidente” a vencer um grupo sem nenhum “tubarão”.

Sérvia e Portugal em duelo na qualificação para o Euro 2020
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Sérvia e Portugal em duelo na qualificação para o Euro 2020 Reuters/RAFAEL MARCHANTE
Figo e Kinsella no Irlanda-Portugal de 2000
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Figo e Kinsella no Irlanda-Portugal de 2000 Reuters/JOSE MANUEL RIBEIRO
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Luxemburgo e Portugal defrontaram-se recentemente LUSA/MARIO CRUZ
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Portugal e Azerbaijão jogaram em 2014 Reuters/MIGUEL VIDAL

Sérvia, República da Irlanda, Luxemburgo e Azerbaijão são, por ordem decrescente de dificuldade, os adversários de Portugal na luta por um “voo directo” para o Mundial 2022, sendo que os vencedores dos dez grupos de qualificação garantem a presença no certame no Qatar, sem precisarem de disputar um play-off (onde estarão os segundos classificados dos agrupamentos).

Fernando Santos, seleccionador nacional, disse que “é evidente” que Portugal é favorito neste grupo e esse é o melhor resumo para o que foi este sorteio. Por estar no pote 1, Portugal não enfrenta nenhum “tubarão”, ainda que, no pote 2, não tenha tido propriamente muita fortuna.

A par da Polónia, a Sérvia era, em matéria de qualidade individual, a equipa teoricamente mais cotada no pote 2. Mas, no caso da selecção balcânica, há muito que o valor individual deixou de ser “cartão-de-visita”.

Muito talento, pouca equipa

Olhar para um “onze” da armada de Belgrado faz arregalar olhos, pelos nomes que actuam nos principais campeonatos europeus, mas esta é uma equipa já conhecida por ser incapaz de fazer coexistir tanto talento. É, portanto, uma permanente incógnita.

Na última Liga das Nações, a competição oficial mais recente, a Sérvia não só ficou longe da subida à Liga A – não teve argumentos para superar Hungria e Rússia – como ficou muito perto de descer à Liga C – salvou-se no desempate com a Turquia. Há, portanto, muito por fazer.

Mitrovic e Jovic, avançados do Fulham e do Real Madrid, são nomes que impõem respeito, mas nenhum é actual titular nos respectivos clubes. A equipa viverá, sobretudo, do que possam fazer Tadic e Milinkovic-Savic na criação de jogo ofensivo, mas terá sempre, tal como destacou Fernando Santos, a crónica melhoria defensiva por consolidar.

Nota para os últimos duelos frente a Portugal, que deram empate (1-1) em Lisboa e vitória portuguesa (2-4) em Belgrado, ambos na qualificação para o Euro 2020.

Uma Irlanda que já teve melhores dias

Num segundo patamar surge outra equipa que já viveu melhores dias. A República da Irlanda já não é a selecção de Robbie Keane, Damien Duff, Roy Keane, Ian Harte ou Shay Given e a última Liga das Nações foi um autêntico suplício.

Nenhuma vitória em seis jogos e três pontos por via de três empates. E só um desempenho ainda mais fraco da Bulgária salvou os irlandeses de uma descida à Liga C.

Matt Doherty, lateral de José Mourinho no Tottenham, será o nome mais conceituado, o que diz bastante da fragilidade actual desta equipa.

Existem Robbie Brady, ainda jogador de Premier League, ou Shane Long, experiente avançado do Southampton, mas Fernando Santos terá tido motivos para praticamente ignorar a selecção irlandesa na sua análise.

Em matéria histórica já lá vão muitos anos desde o último jogo oficial entre Portugal e Irlanda. Foi no início do milénio, na qualificação para o Mundial 2002. Ambos os jogos deram empate a um golo: na Irlanda marcaram Roy Keane e Figo, em Portugal marcaram Sérgio Conceição e Matt Holland.

A estafante viagem a Baku

Do final do sorteio vieram equipas que provocam sensações diferentes. Por um lado, o Luxemburgo traz uma viagem “simpática” – não muito longa e com vários portugueses na região –, mas é uma equipa em clara evolução futebolística.

Já deixou de ser o “saco de pancada” das principais equipas e quase subiu à Liga B da Liga das Nações, algo que motivaria uma gargalhada há alguns anos, quando esta era uma selecção quase irrelevante.

Continua a não ter craques de nível europeu, mas há algo com que trabalhar: Gerson Rodrigues, ala do Dínamo Kiev, é a estrela de uma equipa que ainda conta com jogadores capazes como Leandro Barreiro, Mica Pinto ou Olivier Thill.

Em sentido contrário, o Azerbaijão pouco tem para mostrar em matéria de talento, mas defrontar esta equipa acarreta uma viagem até Baku, na costa do longínquo Mar Cáspio.

Para atestar este facto basta atentar na condicionante imposta pela UEFA no sorteio: o organismo definiu que, entre Azerbaijão, Cazaquistão e Islândia, nenhuma equipa poderia defrontar duas destas selecções, considerando que seriam “viagens excessivas”. Tudo dito sobre o principal problema de defrontar esta equipa.