Startup etíope que ajuda África a gerir pandemia ganha concurso da Web Summit

Lalibela vence concurso de startups. É o segundo ano consecutivo que é eleita uma empresa na área da saúde.

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O sistema da Lalibela ganhou particular importância com a crise da covid-19 Tiksa Negeri/Reuters

A Lalibela Global Networks, uma startup da Etiópia que digitaliza ficheiros médicos em África, foi a grande vencedora da edição de 2020 da Web Summit. A empresa está a ajudar startups em África a poupar dinheiro e a gerir melhor a pandemia da covid-19.

É a terceira vez que uma empresa a desenvolver tecnologia na área da saúde ganha o concurso de startups da cimeira em Portugal que serve para novas firmas se apresentarem a investidores.

No ano passado, o prémio foi para a Nutrix, um dispositivo suíço para monitorizar a glicose a partir da saliva sem a necessidade de uma picada de agulha. E em 2017, o prémio foi para um minifrigorífico inteligente que cabe na palma na mão e guarda medicamentos sensíveis a temperaturas reduzidas.

Com a covid-19, a área da medicina digital promete crescer ainda mais, com consultas virtuais feitas à distância e aplicações para monitorizar a evolução de sintomas a tornarem-se cada vez mais populares. Em alguns países, porém, ainda há muita informação que só existe em papel. Foi por isso que, em 2019, a Lalibela criou o sistema ABAY-CHR para digitalizar, automaticamente, documentos de hospitais em África, poupar papel e facilitar o processo de procurar informação sobre os doentes. Só na Etiópia, a startup já digitalizou 1,2 milhões de registos de pacientes.

“Construímos o sistema ABAY-CHR antes da covid-19, mas, com a pandemia, o sistema tornou-se ainda mais importante para ajudar pacientes e médicos em vilas, e clínicas públicas e privadas em África”, sublinhou a doutora Wuleta Lemma, presidente executiva da Lalibela numa videoconferência após o anúncio do prémio. “A pandemia da covid-19 mostrou que ter um registo médico facilmente acessível é fundamental.”

Contrariamente aos primeiros dois anos da cimeira em Lisboa, em que a vitória vinha acompanhada por prémios monetários e até programas de mentoria, desde 2018 que o único prémio da Web Summit é a notoriedade. Para a equipa da Lalibela é o suficiente. “Ganhar este concurso vai mudar a forma como conseguimos crescer em África e permite apresentar o nosso produto ao resto do mundo”, justificou Lemma. “Obrigada”, resumiu, “não só da minha parte, mas da parte das mães e das crianças e dos pacientes em África que precisam de soluções digitais de saúde.”

Entre as três finalistas estavam também a britânica swIDch, que cria tecnologia de autenticação para empresas com os funcionários em teletrabalho, e a Rheaply uma startup norte-americana que oferece um mercado online (como o Google ou a Amazon) onde as empresas podem vender, doar ou arrendar objectos, materiais e serviços que já não estão a usar.