Farmácias e distribuidores disponíveis para integrarem plano de vacinação contra covid-19

Fases iniciais da vacinação serão conduzidas nos centros de saúde, prevendo-se um alargamento dos pontos de vacinação quando os grupos de risco forem imunizados.

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Vacinação começará em Janeiro Francis Mascarenhas

As duas primeiras fases de vacinação contra a covid-19 em Portugal serão conduzidas em exclusivo pelo Serviço Nacional de Saúde, excluindo – pelo menos no início – farmácias e os grupos de saúde privados. O plano de vacinação prevê que na terceira fase, onde está incluída a generalidade da população, exista um alargamento dos pontos de vacinação, não se sabendo exactamente em que moldes ocorrerá esta expansão.

Em resposta às perguntas do PÚBLICO, o Ministério da Saúde diz apenas que o alargamento será feito “com critérios a definir conforme o calendário e ritmo de abastecimento de vacinas”, não detalhando as instituições pensadas para a vacinação generalizada da população no alargamento da terceira fase. 

Fonte oficial da Associação Nacional de Farmácias (ANF) confirmou ao PÚBLICO que a entidade não foi contactada pelo grupo de trabalho responsável pelo plano de vacinação, remetendo para uma carta aberta onde afirma publicamente a sua disponibilidade para integrar este esforço, de modo a contribuir para a imunização generalizada “no mais curto espaço de tempo”.

Mas, na eventualidade desse alargamento para as farmácias, existiriam condições de distribuição da vacina? O líder da ADIFA, associação de distribuidores farmacêuticos, acredita na capacidade de adaptação da rede logística aos desafios impostos pela nova vacina. Em declarações ao PÚBLICO, Nuno Cardoso não esconde alguma surpresa pela falta de participação da associação na elaboração do plano, considerando que as farmácias vão desempenhar um papel fulcral na imunização geral da população.

“Não fomos envolvidos na construção do plano nem em qualquer tipo de contributo. Tivemos apenas um único contacto, no final da semana passada, por parte do coordenador da task force [Fernando Ramos]. Foi uma reunião que serviu para avaliar a nossa disponibilidade para participar na discussão, não sabemos em que fase. Nós mostrámos a total disponibilidade, mas nunca mais fomos contactados. Em relação ao desenvolvimento do plano que foi apresentado, não tivemos algum tipo de envolvimento”, lamentou Nuno Cardoso.

Permanecem também de fora deste primeiro esforço de vacinação os grupos de saúde privados. À semelhança do que ocorreu com a ANF, fonte oficial do grupo Luz Saúde confirmou ao PÚBLICO que não houve qualquer contacto do Governo para integrar e discutir o plano de vacinação contra a covid-19, dizendo que o grupo está disponível para integrar o circuito de vacinação do novo coronavírus.

Serão cerca de 1200 os pontos previstos (unidades dos centros de saúde e, eventualmente, extensões de saúde em locais mais recônditos) para a vacinação nas duas primeiras fases de vacinação. Na primeira fase, que, na pior das previsões, pode durar três meses, estão abrangidas 950 mil pessoas. O segundo grupo abrange outros 2,7 milhões. Ainda este ano, foram imunizadas em unidades de saúde públicas quase 1,5 milhões de pessoas contra a gripe em cerca de duas semanas.

Serão os próprios centros de saúde a identificar a contactar as pessoas, agendado com os utentes uma data para a vacinação, caso estes mostrem a intenção de receber a vacina. Caso o cidadão não tenha médico de família, terá de contactar o centro de saúde, precisando de uma declaração passada por um médico privado ou seguro que ateste a necessidade de vacinação.