Conheça as três fases da vacinação da covid-19. Na primeira fase, as vacinas serão dadas em centros de saúde (e com marcação)

Vacina contra a covid-19 chegará a Portugal no início de Janeiro. O Governo deverá investir mais de 200 milhões de euros.

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António Costa na apresentação do plano de vacinação da covid-19 André Kosters/LUsa

Para os portugueses incluídos na primeira fase de vacinação que não estão em lares e unidades de cuidados continuados, existirão 1200 pontos de vacinação em todo o país disponíveis para administrar as vacinas contra a covid-19. Os centros de saúde serão os locais onde este fármaco será disponibilizado e administrado, explicou o coordenador da task force da vacina, Francisco Ramos, esta quinta-feira, durante a apresentação do plano de vacinação da covid-19.

A vacina será administrada por marcação. “Será privilegiado um sistema em que sejam os serviços de saúde a identificar quem pertence aos grupos de risco e seremos proactivos em chamá-los. Isso será feito com base na informação disponíveis nos centros de saúde e, sabendo que há um número de portugueses que não os utiliza, existirá uma alternativa que essas pessoas possam usar para ter acesso à vacina nos centros de saúde”, adiantou.

Haverá um site com informação relevante sobre o processo de vacinação e uma linha telefónica de apoio à população em geral e aos profissionais de saúde.

“Em termos de logística, está a ser preparada uma operação mais robusta do que é habitual”, afirmou Francisco Ramos. Se a vacinação contra a gripe é um processo descentralizado e próximo dos locais de vacinação, a vacinação contra a covid-19 será centralizada numa “lógica de comando e controlo”.

Costa: “Estamos num ponto melhor do que estávamos na semana passada”

“Já vemos a luz ao fundo do túnel, mas as vacinas não chegam todas no primeiro dia, mas vão chegando gradualmente ao longo de todo o ano”, explicou o primeiro-ministro, António Costa, ressalvando que a prioridade passa por “proteger quem nos vai proteger”, como o pessoal médico e as forças de segurança. Em segundo lugar, serão as pessoas com problemas de saúde. Um plano que será “transparente”, vincou o primeiro-ministro. 

António Costa elogiou “a comunidade científica” por tornar possível em pouco mais de um ano aquilo que normalmente demoraria sete anos a ser realidade. “Temos boas razões para estar confiante no sucesso. Mas esta foi a parte mais fácil. As dificuldades vão começar agora”, referiu o primeiro-ministro.

Naquela que foi a última intervenção da tarde, Costa voltou a recordar que a “vacinação vai ser facultativa, gratuita e distribuída a toda a população”, explicando que a operação vai arrancar com poucas doses “nas primeiras semanas” e “menos pessoas” a vacinar. "Estamos hoje num ponto melhor do que estávamos na semana passada e muito melhor do que aquele em que estávamos em Março”, concluiu. 

É em três fases que a população portuguesa será vacinada para a covid-19. O coordenador do grupo de trabalho criado pelo Governo para definir o plano de vacinação diz que os principais objectivos deste plano de vacinação são “reduzir a mortalidade” e os “internamentos em unidades de cuidados intensivos”.

Francisco Ramos apresentou esta quinta-feira as diferentes fases do processo de vacinação, que o primeiro-ministro definiu como um “esforço imenso":

Primeira fase

“O primeiro conjunto de grupos prioritários são pessoas com 50 ou mais anos com uma das seguintes patologias: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal e doença respiratória crónica com suporte ventilatória, ou seja, a correspondência exactamente das patologias mais frequentes nos casos graves da doença. As pessoas residentes em lares e internadas em unidades de cuidados continuados e respectivos profissionais, a protecção dos surtos nas populações mais vulneráveis, os idosos e, finalmente, profissionais de saúde directamente envolvidos na prestação de cuidados”, explicou. As forças de segurança também estão incluídas neste grupo.

Segunda fase

“Está já proposta a definição para uma segunda fase de dois grupos: pessoas com 65 ou mais anos sem patologias, reconhecendo que os idosos são o grupo mais vulnerável. O segundo grupo de pessoas, neste caso a partir dos 50 anos e até aos 64, com o alargamento das patologias – diabetes, neoplasia maligna activa, doença renal, insuficiência hepática, obesidade, hipertensão arterial. A estimativa é a de estarmos a falar de 950 mil pessoas na primeira fase, 250 mil residentes em lares, internados em unidades de cuidados intensivos e respectivos profissionais, 400 mil pessoas neste grupo de pessoas com comorbidades e 300 mil pessoas no conjunto de profissionais. Para a segunda fase, a estimativa é de 1,8 milhões de pessoas com mais de 65 anos e 900 mil pessoas neste grupo com estas características”, explicou o coordenador da task force, Francisco Ramos.

Terceira fase

A terceira fase será encarada como “o resto da população”, explica o coordenador do grupo de trabalho criado pelo Governo para definir o plano de vacinação, dizendo que esta estruturação depende do “ritmo de abastecimento” de vacinas. “Se, por qualquer motivo, esse ritmo for mais lento do que o cenário base, ter-se-á de voltar a criar novos grupos prioritários e definir um terceiro grupo”, explicou Francisco Ramos.

Vacinação começa em Janeiro

A vacinação dos portugueses contra a covid-19 começará em Janeiro, confirmou o coordenador, adiantando que a task force ainda não sente confiança para traçar uma estimativa quanto ao dia concreto em que poderá ser iniciada a primeira vaga de vacinação.

“Num cenário optimista, a primeira vaga de vacinação ocorrerá entre Janeiro e Fevereiro. Naquele que será o cenário típico, Janeiro a Março. Se de facto as coisas correrem pior do que o que está programado em termos de entrega, Janeiro a Abril. Aquilo que se pode dizer com segurança é que em Janeiro estaremos em condições de iniciar o processo de vacinação”, adiantou Francisco Ramos.

“As vacinas não chegam todas no primeiro dia, mas vão chegando gradualmente ao longo de todo o ano”, explicou António Costa, ressalvando que a prioridade passa por “proteger quem nos vai proteger”, como o pessoal médico e as forças de segurança. Em segundo lugar, serão as pessoas com problemas de saúde. Um plano que será “transparente”, vincou o primeiro-ministro. 

Há acordo com seis fabricantes e 22 milhões de vacinas a caminho de Portugal 

“Neste momento há seis acordos concluídos. O primeiro foi o da AstraZeneca, a 14 de Agosto, que tem 300 milhões [de doses] para a União Europeia e 6,9 milhões para Portugal. O segundo para Sanofia/GSK, onde não estão definidas doses. O grupo Johnson&Johnson já em Outubro, 200 milhões [de doses] para a União Europeia e 4,5 milhões para Portugal. O da Pfizer com 4,5 milhões para Portugal. O valor da CureVac está praticamente acertado, situando-se entre quatro e cinco milhões. O último contrato assinado, o da Moderna, tem uma quantidade mais pequena, 80 milhões [para a Europa] dos quais nos cabem 1,8 milhões”, explicou o presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo.

A primeira vacina a chegar a território português, se for aprovada, deverá ser a da Pfizer, logo três dias após o “sim” da Agência Europeia do Medicamento, ou seja, no primeiro dia de Janeiro de 2021. Foi o que disse esta quarta-feira a directora médica da Pfizer Portugal, Susana Castro Marques, em entrevista à RTP.

A representante da farmacêutica explicou ainda que a Pfizer e a BioNTech vão assegurar todas as etapas do transporte e distribuição da vacina, desde as fábricas de produção até aos locais de vacinação designados pelas autoridades portuguesas. “Vamos ter uma componente de distribuição aérea para alguns pontos fulcrais do país ou da região e depois uma rede de transporte terrestre para fazer depois, a partir desses centros, a distribuição para outros locais que sejam designados”, acrescentou.

Laboratórios aguardam autorização 

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla inglesa) anunciou na segunda-feira ter recebido dois pedidos de autorização condicional de comercialização das vacinas desenvolvidas pela BioNTech e Pfizer e pela Moderna, esperando emitir uma decisão “dentro de semanas”.

​Depois desta luz verde do regulador europeu, é a vez de a Comissão Europeia “acelerar o seu processo de tomada de decisão com vista a conceder uma autorização condicional de introdução no mercado válida em todos os Estados-membros da UE e do Espaço Económico Europeu no prazo de dias”, explicou a EMA numa nota.