Rinques de patinagem, centros médicos, unidades móveis – como vai ser a vacinação na Europa

Planos de vacinação europeus ainda estão rodeados de muitas incógnitas. Algumas estratégias são já diferentes, com várias países a preferir usar estruturas existentes para vacinar contra a covid-19 e outros a preparar centros especiais só para esta campanha.

Foto
O planeamento das campanhas de vacinação ainda pode ser alterado conforme dados dos fabricantes MAXIM SHEMETOV/Reuters

Será melhor ter a postos grandes centros de vacinação como a Alemanha, que prepara grandes espaços como rinques de patinagem para a campanha de vacinação contra a covid-19? Ou será mais adequada a solução da França, que planeia usar a estrutura existente para a vacina da gripe? Ou será que se pode usar tanto centros específicos como estruturas existentes, juntando ainda opções de centros de saúde, médicos de família, unidades móveis, e ainda a possibilidade de vacinar as pessoas aos seus locais de trabalho?

Vários países estão a delinear estratégias com uma base comum mas há algumas diferenças, quando uma grande parte do planeamento da vacinação não pode ainda ser feito, porque é preciso ter mais dados dos fabricantes. Uma das grandes questões é a de quem serão os grupos a vacinar primeiro, mas para lhe responder com exactidão é preciso informação sobre a eficácia em grupos como os mais velhos.

Ainda assim, nove países tinham já a 30 de Novembro uma estratégia delineada (que admitem alterar), segundo um relatório do Centro Europeu para o Controlo de Doenças (ECDC) divulgado esta quarta-feira, que enviou um questionário a 27 países da União Europeia e ainda ao Reino Unido para perceber os planos em marcha (apenas dois não responderam).

Quase unânime é a resposta de que as vacinas vão ser gratuitas e não obrigatórias. Apenas a Áustria e a Eslovénia não responderam ainda sobre quem suportará o custo da vacina.

Os grupos prioritários, em geral, incluem maiores de 65 ou de 70 anos, pessoas em lares ou instituições de cuidados prolongados, pessoas com outras doenças que as ponham em risco de uma versão mais grave da covid-19, trabalhadores dos lares (de saúde ou serviço social), trabalhadores do sector da saúde (especialmente da “linha da frente”) e ainda outros trabalhadores essenciais. Mas notam-se já algumas diferenças nas prioridades: se na Áustria entre as prioridades surgem os maiores de 65 anos a viver em lares, na Bélgica fala-se de vacinar primeiro todos os idosos. Assistentes sociais aparecem em algumas listas prioritárias, como em Itália, e entre os trabalhadores de sectores essenciais que terão também prioridade, Polónia e Chipre referem-se particularmente aos polícias.

Diferenças maiores notam-se no modo como os países planeiam levar a cabo a vacinação, que pode ser dificultada pelas condições especiais de armazenagem de algumas vacinas, e pelo facto de serem precisas duas doses. Há países que consideram usar todos os recursos ao seu dispor, desde a estrutura que já é usada para outras vacinas, em especial a da gripe, a centros especiais, passando por unidades móveis ou ir mesmo aos locais de trabalho vacinar as pessoas ou, no caso de Estónia e Malta, levar a cabo campanhas de vacinação nos lares.

Será provavelmente preciso um reforço de pessoal para dar as vacinas. Doze países disseram que iam mobilizar e treinar desde parteiras a estudantes de enfermagem para darem vacinas, e França e Alemanha consideram pôr médicos reformados a fazer parte do esforço. A Alemanha vai recorrer a organizações não-governamentais de ajuda humanitária, protecção civil e ainda às Forças Armadas para ajudar no esforço de vacinação.

A maior parte dos países já tem um sistema que permite seguir a vacinação, e vai usá-lo também para estas vacinas. Alguns planeiam melhorar a informação em tempo real, importante para a vigilância pós-autorização e aferir como está a evoluir a campanha, e para eventuais ajustes.

A desconfiança em relação às vacinas existe em parte da população, reconhecem os países, mas não houve muitos a fazer já inquéritos sobre se as pessoas pretendem vacinar-se: Bélgica e Luxemburgo foram os únicos, diz o ECDC, embora França, Alemanha, Espanha e Lituânia planeiem monitorizar a aceitação das vacinas através de sondagens.