Catarina Martins quer novo acordo com o PS, apesar de não apreciar “insultos”

A líder do Bloco de Esquerda diz querer sarar as feridas causadas pela negociação do OE 2021, mas lembra que antes de o BE votar contra o orçamento, o PS recusou sucessivos acordos. Agora, as atenções voltam a centrar-se no SNS.

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Catarina Martins reuniu-se esta quarta-feira com profissionais de saúde Nuno Ferreira Santos

O reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a insistência na regulamentação da Lei de Bases da Saúde parecem ser os tratamentos escolhidos pelo Bloco de Esquerda para sarar as feridas e restabelecer os laços com o Governo, depois de as negociações do Orçamento do Estado de 2021 (OE 2021) terem afastado os dois partidos. Esta quinta-feira, a coordenadora do Bloco respondeu às críticas de António Costa ― que acusou o BE de “oportunismo” e de se “ter posto ao fresco na votação do OE 2021 ― e vinca que “é o tempo de deixar as recusas e de fazer os acordos que são essenciais para o país”. Ainda que os socialistas e bloquistas não se tenham entendido na proposta orçamental do Governo para 2021, a líder do BE garante que “fará tudo” para que seja possível chegar a um acordo.

À saída de um encontro com um grupo de profissionais de saúde sobre a criação do Estatuto do SNS, no âmbito da regulamentação da Lei de Bases da SaúdeCatarina Martins comentou as considerações do primeiro-ministro procurando recentrar a discussão em futuros acordos, mas sem deixar esquecer que também o PS recusou algumas das propostas feitas pelo Bloco, desde o início da legislatura.

“Devo dizer que não aprecio insultos na política e não os tenho usado”, assinalou a líder bloquista, antes de recordar as vezes em que o Bloco deu a mão ao PS (e as vezes em que o PS recusou agarrá-la). “António Costa sabe que é primeiro-ministro, porque em 2015 houve um acordo com a esquerda pelo qual o Bloco de Esquerda se bateu e de que não se arrepende” que empurrou o PS para o Governo e que, depois disso, nas últimas eleições legislativas, António Costa foi a eleições “pedindo uma maioria absoluta, que não teve”, e depois disso recusou “um novo acordo para reforçar o trabalho e o direito do trabalho em Portugal”.

​Agora, Catarina Martins acredita que “todo o país consideraria uma irresponsabilidade, se o Governo e o PS não quisessem fazer um acordo para o SNS e para garantir o acesso à saúde a toda a população”. Sem se alongar sobre o voto contra no OE, a líder bloquista disse que o partido não estaria disponível “para fazer de conta que o SNS está melhor, quando está à vista de todos que precisa de reforço”. Ainda que esse acordo não tenha sido possível chegar a esse acordo no OE 2021, a coordenadora do BE acredita que serão dados esses passos e que esse acordo “será feito com o BE”.

Sobre o travão conseguido pelo BE em relação à transferência de 476 milhões do Fundo de Resolução para Novo Banco, Catarina Martins considera que apesar de não resolver todos os problemas do Novo Banco é importante “que não haja um cheque em branco com o dinheiro dos contribuintes”.

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