Covid-19: vacina da Pfizer poderá chegar a Portugal a 1 de Janeiro. Reino Unido começa a vacinar na próxima semana

O Reino Unido concedeu autorização para o uso de emergência da vacina desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech e começa a vacinar na próxima semana. Vacina poderá chegar a Portugal a 1 de Janeiro.

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Vacina da Pfizer e BioNTech revelou ter uma eficácia de 95% de acordo com os resultados da última fase de ensaios clínicos DADO RUVIC/Reuters

O Reino Unido tornou-se nesta quarta-feira o primeiro país ocidental a conceder autorização para o uso de uma vacina contra a covid-19, depois de a agência reguladora dos produtos de saúde britânica (MHRA, na sigla em inglês) ter concedido autorização para o uso de emergência da vacina desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech. A vacinação no Reino Unido começa já na próxima semana, revelou o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock.

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O Reino Unido tornou-se nesta quarta-feira o primeiro país ocidental a conceder autorização para o uso de uma vacina contra a covid-19, depois de a agência reguladora dos produtos de saúde britânica (MHRA, na sigla em inglês) ter concedido autorização para o uso de emergência da vacina desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech. A vacinação no Reino Unido começa já na próxima semana, revelou o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock.

“A partir do início da próxima semana, iremos começar um programa de vacinação das pessoas contra a covid-19 aqui neste país”, garantiu Matt Hancock em entrevista à Sky News.

O ministro da Saúde afirmou ainda que estas são “notícias fantásticas” e que o comité responsável pela gestão das vacinas e imunização irá definir oficialmente nesta quarta-feira quem terá prioridade.

Esta vacina desenvolvida pela Pfizer e pela parceira alemã BioNTech poderá chegar a Portugal três dias após a aprovação pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês), o que está previsto acontecer a 29 de Dezembro. Isto significa que a vacina poderá chegar a território português logo no primeiro dia de Janeiro de 2021, revelou em entrevista à RTP a directora médica da Pfizer Portugal, Susana Castro Marques.

A representante da farmacêutica explicou ainda que a Pfizer e a BioNTech vão assegurar todas as etapas do transporte e distribuição da vacina, desde as fábricas de produção até aos locais de vacinação designados pelas autoridades portuguesas. “Vamos ter uma componente de distribuição aérea para alguns pontos fulcrais do país ou da região e depois uma rede de transporte terrestre para fazer depois, a partir desses centros, a distribuição para outros locais que sejam designados”, acrescentou.

“Aquilo que nós temos estimado nos nossos planos é que, assim que aprovada e sabendo nós quais são os pontos de vacinação onde temos de fazer chegar as vacinas, no máximo em três dias teremos as vacinas nos locais designados”, afirmou à RTP Susana Castro Marques. “Ainda não temos os pontos fulcrais estipulados, porque isso depende daquilo que as autoridades portuguesas nos disserem sobre quais vão ser os pontos de vacinação”, salientou.

A vacina será transportada em caixas térmicas, envolta em gelo seco, de forma a manter uma temperatura de 70 graus negativos. As caixas têm “monitores de GPS, que estão ligados centralmente”, o que permite monitorizar a localização de cada caixa térmica e assegurar que esta se encontra à devida temperatura. “Essas caixas térmicas garantem a estabilidade da temperatura até dez dias se se mantiverem fechadas”, explicou a directora médica da Pfizer.

Nos locais de vacinação, deverá haver congeladores de ultrabaixa temperatura, para garantir a estabilidade da vacina durante seis meses. Caso este equipamento não esteja disponível, as vacinas poderão permanecer nas caixas térmicas durante 30 dias. Há ainda a hipótese de serem armazenadas no frigorífico até cinco dias, a uma temperatura de entre dois a oito graus.

“​Agora é possível ver uma saída”​

Segundo Matt Hancock, “a ajuda está a caminho” e “agora é possível ver uma saída”. “Podemos ver agora que, até à Primavera, iremos ultrapassar isto”, afirmou à Sky News. No entanto, o ministro da Saúde britânico apelou à população para que cumpra as medidas de restrição implementadas pelo Governo. “Não vamos agora relaxar e perder os nossos resultados, vamos seguir as regras”, alertou.

A propósito das condições de armazenamento da vacina, Matt Hancock explicou que a sua distribuição será “desafiadora”. Porém, o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) “está pronto” para iniciar o programa de vacinação em todas as partes do Reino Unido. “Eles estão habituados a lidar com vacinas e medicamentos como este, com este tipo de condições”, disse.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, classificou de “fantástica” a notícia de que a agência reguladora britânica autorizou formalmente a vacina da Pfizer/BioNTech.

“É fantástico que a MHRA tenha autorizado formalmente a vacina da Pfizer e BioNTech para a covid-19. A vacina começará a ser disponibilizada em todo o Reino Unido a partir da próxima semana”, afirmou numa publicação no Twitter.

“É a protecção das vacinas que nos permitirá, por fim, recuperar as nossas vidas e colocar a economia a funcionar outra vez”, acrescentou Boris Johnson.

Já o director-geral da Saúde de Inglaterra, Chris Whitty, revelou que irá demorar até à próxima Primavera para vacinar toda a população vulnerável que deseja receber a vacina.

Três canais de distribuição

A distribuição da vacina da Pfizer/BioNTech no Reino Unido será feita através de três canais. “O primeiro são os próprios hospitais. Cinquenta hospitais em todo o país estão já prontos e à espera para receberem a vacina assim que ela for aprovada, o que já pode acontecer”, afirmou Matt Hancock à Sky News. Além disso, haverá centros de vacinação, “que serão grandes centros onde as pessoas poderão ir para ser vacinadas”, que estão já a ser montados. Por fim, será também levada a cabo a vacinação na comunidade, através de médicos e farmacêuticos, em locais onde seja possível garantir as devidas condições de armazenamento da vacina.

O ministro da Saúde explicou ainda que não há planos para a implementação de qualquer tipo de “passaporte de vacina” no Reino Unido. “Embora saibamos que esta vacina nos protege de adoecer com a covid-19, ainda não sabemos de que forma ela nos impede de transmitir [o vírus]”, afirmou, destacando que apenas haverá mais informação quando a vacina for distribuída “amplamente” pela população e os seus resultados monitorizados “com muito cuidado”.

O principal objectivo agora é proteger as pessoas mais vulneráveis e implementar o plano de vacinação “de acordo com a priorização clínica que os especialistas irão definir”, disse Hancock.

“Momento histórico”

As primeiras doses irão chegar nos próximos dias ao Reino Unido. O país adquiriu 40 milhões de doses da vacina da Pfizer/BioNTech, que revelou ter uma eficácia de 95%, de acordo com os resultados da última fase de ensaios clínicos.

“A autorização para uso de emergência no Reino Unido marca um momento histórico na luta contra a covid-19. Esta autorização é um objectivo em que temos vindo a trabalhar desde que declarámos pela primeira vez que a ciência vencerá, e aplaudimos a MHRA pela sua capacidade de conduzir uma avaliação cuidadosa e tomar medidas a tempo para ajudar a proteger a população do Reino Unido”, afirmou Albert Bourla, presidente da Pfizer, citado pelo diário britânico The Guardian.

“À medida que antecipamos mais autorizações e aprovações, estamos focados em agir com o mesmo nível de urgência para fornecer com segurança uma vacina de elevada qualidade por todo o mundo. Com milhares de pessoas a ficarem infectadas, todos os dias são importantes na corrida colectiva para acabar com esta pandemia devastadora”, acrescentou.

Os grupos com prioridade para a vacinação no Reino Unido deverão ser os residentes e funcionários de lares, assim como as pessoas com mais de 80 anos e profissionais de saúde.

A Pfizer e a BioNTech garantem ainda que a sua capacidade de produção conjunta permitirá fornecer até 50 milhões de doses a nível global em 2020 e até 1,3 mil milhões de doses até ao final do próximo ano.

Os Estados Unidos, que encomendaram 100 milhões de doses da vacina, e a Europa, que adquiriu 200 milhões de doses, deverão aprovar a vacina nas próximas semanas.

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