“A idade não será um limite à vacinação”, garante secretário de Estado da Saúde

António Lacerda Sales garantiu que os idosos são um grupo prioritário para o Governo. País assegurou 16 milhões de doses de vacinas contra a covid-19.

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António Lacerda Sales falou esta sexta-feira sobre a pandemia Anna Costa/Arquivo

O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, garantiu esta sexta-feira que a idade não será um limite à vacinação, fazendo referência a uma proposta preliminar da comissão de especialistas nomeada pela Direcção-Geral da Saúde (DGS). Esta manhã, também o primeiro-ministro se mostrou contra a limitação da vacinação por faixas etárias, após terem sido as primeiras conclusões deste grupo de trabalho. 

“É uma proposta que inclui todos os idosos dos lares e estruturas residenciais sem limite de idades, incluiu os profissionais dos lares, profissionais de saúde, forças da autoridade. É uma proposta que ainda não foi analisada pelo Ministério da Saúde. A seu tempo, com moderação e serenidade, analisaremos. Mas as faixas mais vulneráveis sempre foram uma prioridade, especialmente os idosos. A idade não será um limite à vacinação. Para este Governo, não há nenhuma limitação da idade”, afirmou António Lacerda Sales, acrescentando que os doentes com comorbidades também entram no grupo prioritário do Governo. 

As primeiras conclusões deste grupo de trabalho deixavam os idosos com 75 ou mais anos fora dos primeiros grupos a receberem a vacina contra a covid-19, depois de a Agência Europeia do Medicamento considerar que não existe, para já, provas suficientes sobre a eficácia da vacina neste grupo etário. António Lacerda Sales pediu cautela nestas avaliações, afirmando que ainda não é conhecido quais serão as primeiras vacinas a chegar ao país, visto que diferentes vacinas terão grupos prioritários distintos. “Não sabemos exactamente qual será o primeiro lote de vacinas [a chegar]. Teremos de adequar [o grupo prioritário a] esse lote. A vacinação é um processo complexo e obviamente que não nos vamos vacinar todos ao mesmo tempo. As vacinas chegarão por tranches e haverá grupos prioritários em função dessas vacinas”, confirmou.

O secretário de Estado da Saúde reforçou que o objectivo do Governo é fazer chegar a vacina ao maior número de portugueses, independentemente da idade: “É importante dizer que este processo de vacinação está a ser conjugado com todos os países da União Europeia que, internamente, terão uma estratégia, logística, plano comunicacional. É um plano muito complexo. Queremos fazer uma grande campanha de vacinação e o objectivo é ter a maior cobertura possível.”

País garantiu 16 milhões de doses de vacinas

Portugal tem seis contratos aprovados com fabricantes de vacinas e quatro acordos fechados, num total de 16 milhões de doses asseguradas, avançou António Lacerda Sales.

“São vacinas com diferentes características. Temos quatro contratos fechados, com a AstraZeneca, a Pfizer, a Johnson e a Sanofi e posso dizer-lhe que estão 16 milhões de doses – talvez um pouco mais, nesta fase – [asseguradas]. A nossa expectativa é que vamos atingir um grau de cobertura muito amplo onde, garantidamente, volto a referir, a idade não será um limite”, avançou o secretário de Estado da Saúde. 

Lacerda Sales diz que os portugueses não serão “todos vacinados ao mesmo tempo”, dizendo que as tranches das vacinas chegarão ao país “gradualmente”. “Posso tranquilizar os portugueses ao dizer que temos doses com o objectivo de termos a maior cobertura possível. O processo decorrerá tranquilamente”, finalizou.

O secretário de Estado garantiu ainda que existem estruturas em Portugal com capacidade de armazenar as vacinas contra a covid-19, um desafio do ponto de vista logístico. Estas doses têm de ser transportadas e mantidas em espaços com uma temperatura de -70ºC para garantir a eficácia da dose. 

Surto no INEM controlado

António Lacerda Sales foi questionado sobre o surto no INEM e eventuais constrangimentos no funcionamento do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Lisboa. O secretário de Estado garante que este surto está controlado, não tendo para já informações relativamente a perturbações no funcionamento desta entidade. 

“O que posso dizer é de que é um surto controlado. Muitos dos positivos nem sequer o foram em contexto de trabalho. Existem 16 casos positivos no CODU de Lisboa, 14 técnicos de emergência pré-hospitalar e dois médicos. Aguardam-se ainda os resultados de cinco técnicos”, referiu.