Seis directores da Citgo, todos residentes nos EUA, condenados por corrupção na Venezuela

Foram detidos em 2017 numa viagem a Caracas e acusados de fraude e corrupção. O Governo e a procuradoria-geral da Venezuela acusaram-nos de terem feito um negócio ruinoso para o país.

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A Citgo é uma empresa norte-americana detida pela venezuelana PDVSA Reuters

Seis membros da direcção da refinadora norte-americana Citgo que foram detidos na Venezuela há três anos, numa purga do Presidente Nicolas Maduro na indústria do petróleo do país, foram condenados a penas de oito a 13 anos de prisão. Cinco deles são cidadãos norte-americanos, e todos são residentes permanentes nos EUA.

A pena mais pesada foi aplicada ao antigo presidente da empresa com sede em Houston, no estado norte-americano do Texas, e detida na totalidade pela petrolífera estatal da Venezuela, a PDVSA.

José Pereira foi condenado a 13 anos de prisão e ao pagamento de uma multa de dois milhões de dólares (1,7 milhões de euros). Os restantes cinco elementos da anterior direcção da Citgo receberam condenações de entre oito e dez anos de prisão.

Uma das advogadas do grupo, Maria Alejandra, disse à agência Reuters que não foram apresentadas provas contra nenhum dos detidos, a quem se referiu como “presos políticos”.

“Eles nem sequer mencionaram os nomes deles em tribunal”, disse a advogada.

"Ladrões e traidores"

À excepção de Pereira, que é um cidadão venezuelano com autorização de residência permanente nos EUA, todos são cidadãos norte-americanos. Nos últimos três anos, a Casa Branca e o Departamento de Estado norte-americano exigiram a libertação dos detidos, e espera-se uma reacção de Washington nas próximas horas.

José Pereira e os cinco vice-presidentes da Citgo foram detidos em Novembro de 2017, em Caracas, durante uma reunião da PDVSA, no meio de uma purga no sector petrolífero do país que resultou em dezenas de detenções.

Na altura, foram acusados pelo Presidente Maduro e pelo procurador-geral venezuelano, Tarek Saab, de terem defraudado o país num negócio no valor de quatro mil milhões de dólares.

“Estas pessoas nasceram na Venezuela, são venezuelanos e vão ser julgados por serem corruptos, ladrões e traidores”, disse Nicolás Maduro numa comunicação ao país poucos dias depois das detenções, em 2017. “Eles estão melhor atrás das grades e têm de ir para a pior prisão da Venezuela.”

Os seis detidos foram postos em prisão domiciliária em Dezembro de 2019, mas foram novamente transferidos para uma cadeia em Janeiro de 2020, quando o líder da oposição na Venezuela, Juan Guaidó, foi recebido pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, no discurso do Estado da União.

O Governo venezuelano incluiu as detenções dos directores da Citgo numa campanha anti-corrupção, mas a oposição no país acusa Maduro de ter feito uma purga no sector petrolífero para instalar nos lugares de poder os seus apoiantes.

Poucos dias depois da detenção dos seis directores da Citgo, o Presidente da Venezuela nomeou para a liderança da empresa Asdrúbal Chávez, primo do antigo Presidente Hugo Chávez. Em Abril, Asdrúbal Chávez foi nomeado presidente da PDVSA.