Usar máscara perto do cão ou do gato? Os conselhos das organizações de saúde animal

Respeitar as mesmas precauções que se tem com pessoas, sim — pôr uma máscara no cão, não. O que dizem médicos veterinários, o Centro Europeu para o Controlo e Prevenção de Doenças e a Organização Mundial da Saúde Animal?

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Paulo Pimenta

As “tentativas de adaptar a nova realidade aos animais de companhia” tornaram-se menos comuns ao longo da pandemia, diz a médica veterinária Patrícia Branco. À medida que as recomendações para desinfectar compras e sapatos iam perdendo notoriedade, também os tutores se preocupavam menos com desinfectar as patas dos animais, depois do passeio, conta. Mas, afinal, que orientações de segurança existem para quem partilha a casa com animais?

O Centro Europeu para o Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) repete a precaução geral de todas as autoridades de saúde: “lavar as mãos”. Neste caso, “antes e depois de entrar em contacto com animais, a sua comida ou brinquedos”. Também sugere “evitar beijar, ser lambido por animais ou partilhar comida.” A Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) aconselha pessoas infectadas com o novo coronavírus a “limitarem o contacto com animais, tal como fazem com outras pessoas”, especialmente com espécies que demonstraram ser susceptíveis à infecção pelo novo coronavírus.

“Felinos, visons e cães tiveram testes positivos para o SARS-CoV-2, depois de entrarem em contacto com pessoas infectadas. Houve gatos a exibir sinais clínicos da doença”, resume a OIE. “Embora várias espécies de animais tenham sido infectadas com o Sars-CoV-2, estas infecções não são significativas para a pandemia de covid-19. A pandemia é impulsionada por transmissões do vírus entre humanos.

Por isso é que todos os conselhos supracitados, que foram actualizados pela última vez a 9 de Junho, obedecem ao lema “antes prevenir do que remediar”. “Até que saibamos mais sobre como é que este vírus afecta animais, trata os animais de companhia como tratarias outro membro da família que tivesses de proteger de uma possível infecção”, escreve também o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América, numa publicação de Setembro.

​Patrícia Branco foi contactada por muitos tutores preocupados, principalmente com os passeios dos cães. “Se optarem por fazer a desinfecção das patas”, diz, “os tutores devem consultar um médico veterinário para saber que produtos usar”. “O protocolo de limpeza tem de ser adaptado, não podem usar os mesmos desinfectantes”, salvaguarda. 

“Se não sabemos muito em medicina humana, a nível dos animais ainda sabemos menos. O que sabemos, dos casos pontuais de infecção, é que não é um cenário alarmante”, ecoa a veterinária, membro da direcção da associação de médicos veterinários de animais de companhia. Por isso, o “mais importante em caso de dúvidas ou do estado de saúde dos animais é falar primeiro com o médico veterinário”. 

Várias associações zoófilas, incluindo a Animal, alertaram para a necessidade de combinar cuidados com uma pessoa a quem possam recorrer, caso o tutor principal fique de quarentena ou seja hospitalizado. Quem não conseguir assegurar uma rede de apoio ou não puder recorrer a um serviço de pet sitting “deverá manter as práticas de boa higiene e usar uma máscara junto do animal, se possível”, diz a OIE. “Os animais que vivem com pessoas infectadas com SARS-CoV-2 devem ficar em casa, respeitando as recomendações de isolamento ou quarentena aplicáveis a humanos.”

Em Março, a Animal aconselhou ainda a ter “sempre na sua carteira, junto dos seus detalhes pessoais, uma nota sobre os animais que consigo habitam”, para casos de emergência. 

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