Em França as livrarias e galerias reabrem já no sábado e poderá haver cinema no Natal

Numa primeira fase deste novo desconfinamento de Inverno, reabrem lojas de artigos culturais, bibliotecas e galerias. Se tudo correr, bem seguir-se-ão a 15 de Dezembro museus, monumentos, salas de espectáculos e cinemas. Em França o recolher obrigatório continua, mas a cultura voltou a ser para o Governo um bem essencial, depois de várias pressões e pedidos de ajuda.

Foto
Paris já com as iluminações de Natal LUSA/IAN LANGSDON

“É uma lufada de ar fresco”, escreve o jornal francês Le Figaro sobre as medidas de desconfinamento para a área da cultura que o Presidente da República francês anunciou na terça-feira.

A França vai começar a aligeirar o segundo confinamento já este fim-de-semana, mas será em Dezembro que chegarão as medidas que poderão fazer com que o período de Natal se pareça mais um pouco com o que era antes da pandemia: com as habituais idas ao cinema e a estreia em sala de blockbusters, como se prevê que o seja o filme Mulher Maravilha 1984. O Governo abriu uma excepção para as actividades culturais, que desconfinarão em duas fases, uma parte já neste fim-de-semana e outra a 15 de Dezembro; outras áreas, como os bares e a restauração, terão de esperar até 20 de Janeiro para, explicou Macron, se tentar evitar uma terceira vaga.

Este anúncio foi vista como uma tomada de posição do Governo francês, que recentra a cultura como bem essencial, depois de várias chamadas de atenção, pedidos de ajuda e críticas expressas através de petições e cartas abertas.

“Apoiamos todos os envolvidos na cultura, a quem, eu sei, tanto pedimos, mas que aguentaram, criaram, inovaram, conseguiram encontrar novos públicos neste contexto tão difícil. Nós precisamos deles”, disse Emmanuel Macron, citado pelo jornal Le Monde.

Nesta primeira fase que começa no próximo sábado, livrarias, bibliotecas, lojas de discos e galerias de arte poderão voltar a abrir, tal como outras lojas. Mesmo antes do anúncio do presidente, a Biblioteca Nacional de França anunciara já em comunicado que ia abrir as suas salas de leitura a investigadores a partir desta quarta-feira. 

As salas de cinema e de espectáculos, os monumentos e os museus abrirão as portas a 15 de Dezembro, na segunda fase deste novo desconfinamento. Os espectáculos poderão voltar a realizar-se ao início da noite, uma medida considerada essencial para a sobrevivência dos artistas, produtores e distribuidores e que a ministra da Cultura, Roselyne Bachelot, pedia desde o segundo confinamento, segundo o Le Monde. A partir dessa data, quem for ao cinema, a um espectáculo, ao teatro ou à ópera às 20h poderá exibir o bilhete para justificar a infracção, no caso de ter de regressar a casa já em hora de recolher obrigatório (das 21h às 7h), explicou ao Le Figaro Marc-Olivier Sebbag, da federação nacional dos cinemas franceses, que representa 200 salas em França.

No entanto, os concertos com público em pé continuam proibidos e os festivais também. Um concerto só poderá juntar mil pessoas sentadas.

Apesar do alívio das restrições, há quem ainda não tenha ficado contente, como o presidente dos centros de dramaturgia franceses, o actor Robin Renucci, que ao Le Monde considerou “gravíssimo” que “o culto e o comércio, isto é a crença e o dinheiro, passem à frente da cultura”. Na sua opinião, os teatros estariam igualmente capazes de abrir também já neste sábado, 28 de Novembro, para captar o público mais jovem.

Até ao final desta quarta-feira irão ainda ser discutidos com os profissionais os pormenores desta medida, pois também já se sabe que as sessões terão de terminar antes das 22h.

Outra das medidas que vigorarão nas salas de espectáculos é que só poderão estar sentadas juntas seis pessoas, em vez das dez que haviam sido fixadas como limite no anterior desconfinamento. E os museus, que na última reabertura podiam contar com um visitante por cada quatro metros quadrados, terão agora de voltar a fazer contas, pois só poderão ter um visitante por cada oito metros quadrados. Refere o Le Monde que a mesma medida se aplica às livrarias.