Alemanha é a lebre na corrida para preparar vacinação da covid-19

Berlim e Londres querem começar já a vacinar em Dezembro. Madrid em Janeiro, mas espera que grande parte dos espanhóis esteja imunizada até ao Verão. França ainda está a definir as regras.

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Jehns Spahn, o ministro da Saúde alemão, quer criar condições para distribuir a vacina logo que seja aprovada LUSA/HENDRIK SCHMIDT / POOL

Ninguém foi mais rápido que a Alemanha, que espera ter já prontos a funcionar centros de vacinação para a covid-19 em meados de Dezembro. Ali poderão começar logo a ser administradas, logo que tiverem luz verde das autoridades de saúde europeias. Os restantes países europeus estão ainda a começar os primeiros passos.

“Prefiro ter um centro de imunização pronto a funcionar inactivo vários dias do que uma vacina autorizada sem ter condições para a administrar”, declarou o ministro da Saúde, Jens Spahn. Cada estado-federado alemão fica responsável por identificar os locais onde se podem montar centros para administrar as vacinas e locais para as armazenar. Mas o Governo federal pagará as vacinas e participa no financiamento dos centros de vacinação.

Foram identificados três grupos prioritários, diz o jornal francês Le Monde: “Indivíduos com um risco significativo de desenvolver uma forma grave ou mortal da doença, por causa da idade ou fragilidade da saúde”; “pessoal de enfermagem ou auxiliar de lares de idosos, que lidam com a população mais vulnerável” e, finalmente, “pessoas que devem ser protegidas porque ocupam funções importantes para o resto da sociedade e serão dificilmente substituíveis”. Neste grupo incluem-se os que trabalham na “saúde, membros da polícia e dos serviços de segurança, bombeiros e professores”.

O documento que definia destes grupos prioritários foi entregue a 9 de Novembro pelos especialistas das três instituições convidadas pelo Governo a pronunciarem-se: o Conselho de Ética alemão, a Academia de Ciências Leopoldina e a Comissão Permanente de Vacinação do Instituto de Saúde Pública Robert Koch. Estabelecer prioridades no acesso às vacinas será fundamental, reconheceu o ministro da Saúde alemão: “No início, mas também nas primeiras semanas e talvez meses, é muito possível que não haja doses suficientes para todos os que se querem vacinar”, avisou.

Usar a rede pública

Apesar dessa dificuldade, o Governo de Espanha – um dos países mais traumatizados pela pandemia na Europa – prometeu que grande parte do país estará vacinada contra o novo coronavírus até ao Verão de 2021. O plano deve ser apresentado nesta terça-feira em Conselho de Ministros, mas o que Pedro Sánchez já avançou é que as vacinas devem ser distribuídas através de 13 mil centros de vacinação – um número que coincide com a quantidade de centros de saúde e consultórios dos serviços de saúde das regiões autonómicas espanholas, nota o El País.

A imunização, usando as vacinas adquiridas pela União Europeia – 10% das quais estarão reservadas para Espanha, diz o jornal El Periódico – deverá iniciar-se em Janeiro e será voluntária.

França prevê também usar o sistema nacional de saúde para distribuir as vacinas para a covid-19, no início de de 2021, mas a Alta Autoridade para a Saúde só deve divulgar os seus planos em meados de Dezembro. Neste momento, apenas se sabe que serão considerados prioritários os profissionais de saúde e as pessoas mais idosas ou fragilizadas.

“É preciso que o plano de organização seja simples, para que as pessoas se possam vacinar em proximidade, no seu médico ou no local de trabalho. Os farmacêuticos vacinam contra a gripe, mas será que poderão vacinar também contra o coronavírus?”, interrogou-se Daniel Floret, vice-presidente do Comité técnico de Vacinação, na rádio Europe 1.

Um passo, no entanto, foi já dado: foram comprados 50 supercongeladores com capacidade de frio até 80 graus Celsius negativos, para manter vacinas como as da BioNtech-Pfizer, diz ainda a Europe 1.

O Governo britânico espera também conseguir vacinar pessoal médico e pessoas mais vulneráveis no início de Dezembro. Matt Hancock, o ministro da Saúde britânico, diz que se as vacinas forem aprovadas pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos Médicos, em especial da Pfizer-BioNtech, o caminho está aberto. “O Serviço Nacional de saúde tem de estar pronto, a partir de 1 de Dezembro”, declarou. Esta vacina vacina está a ser produzida em Puurs, na Bélgica – de lá para o Reino Unido é um saltinho.

A operação de rastreamento de casos de covid-19 assentou na subcontratação de empresas privadas, e resultou na descoberta de atrasos na notificação de 16 mil casos de covid-19, no início de Outubro. Por isso, desta vez, a vacinação será organizada pelos hospitais e pelas clínicas de cuidados de saúde primários. O exército deverá dar apoio logístico no transporte. E o Ministério da Saúde emitiu uma circular dizendo que seria desejável manter o ritmo de 975 injecções de vacinas por semana, relata o Le Monde. 

Mas o fim do período de transição após o “Brexit”, no fim deste ano, e a saída em definitivo do Mercado Comum, a 1 de Janeiro de 2020, suscitam preocupações quanto ao fluxo de vacinas. Imaginam-se filas intermináveis de camiões em Dover… Hancock tenta projectar segurança: “Transportamos a vacina por avião. Temos um plano para todas as eventualidades”, assegurou.