Sporting tratou a Taça e o Sacavenense com o respeito que merecem

A equipa de Sacavém não deu uma grande réplica, é certo, mas ninguém esperaria que o fizesse. Fica uma história para contar aos netos sobre a noite em que o Sporting os tratou de forma séria e competente. Os “leões” avançam na Taça de Portugal.

Foto
Jogadores do Sporting celebram no Jamor LUSA/MÁRIO CRUZ

Sem sobressalto, sem facilitismo e sem espaço para surpresas. Foi de forma adulta e responsável que o Sporting eliminou nesta segunda-feira o Sacavenense, na Taça de Portugal. A vitória foi clara, por 1-7, e os “leões” deitam mão a um dos bilhetes que restavam para a quarta eliminatória da prova.

Como se disse antes da partida, este era um jogo em que uma vitória “leonina” seria apenas “normal”, sem aplausos vibrantes, e um deslize seria trágico, com assobios ferozes. Consciente disso, a equipa de Rúben Amorim ofereceu ao jogo a seriedade necessária e ao Sacavenense o respeito que o rival lisboeta merece.

Do lado contrário, a equipa de Sacavém não deu uma grande réplica, é certo, mas ninguém esperaria que o fizesse. Fica uma noite para contar aos netos, apesar do “amasso” sofrido no Jamor.

Entrar a ganhar

Na antevisão do jogo, Rui Gomes, treinador do Sacavenense, disse que precisaria de que o Sporting não estivesse “num dia assim tão bom”. Não aconteceu. O Sporting não esteve num dia fulgurante, porque não precisou, mas esteve num dia bom. E isso, para eliminar a formação do Campeonato de Portugal, duas divisões abaixo, foi mais do que suficiente.

Os “trabalhadores” de Sacavém – muitos jogadores saíram mais cedo dos empregos para irem a jogo – nem tiveram tempo de se acomodarem ao rival. Ainda a equipa media as dimensões do relvado do Jamor e já o guarda-redes Tiago Mota se baixava para apanhar a bola no fundo das redes.

Logo aos 3’, Jovane recuou no terreno e fez um cruzamento em arco, para as costas da defesa adversária. Ricardo Santos falhou a intercepção e Nuno Santos, ao segundo poste, encostou de pé esquerdo.

Um golo criado por Jovane, que, mesmo num jogo parco em exigência, conseguiu confirmar a Rúben Amorim aquilo que o técnico já terá percebido: que o jovem atacante é claramente mais capaz e útil quando pode jogar entre linhas e nos corredores, vendo o jogo de frente, do que quando lhe pedem para actuar no centro, perto dos centrais e de costas para a baliza adversária.

Pouco capaz de ferir o Sporting, a equipa do terceiro escalão foi fazendo o que pôde em matéria de ocupação defensiva do espaço. Mas não pôde assim tanto. Depois de uma bola ao poste aos 14’, por Nuno Santos, e de uma defesa de Tiago Mota aos 17’, por remate de João Mário, o Sporting chegou ao 2-0 com naturalidade.

Numa bola parada, Nuno Santos, novamente sagaz, voltou a aproveitar um corte falhado de um jogador do Sacavenense, desta vez para assistir Coates, que cabeceou nas alturas, sem oposição.

Mesmo sem precisar de acelerar muito o jogo, o Sporting conseguiu ser competente na criação de jogadas, até pela forma como teve, neste “onze”, dois jogadores muito capazes na primeira fase de construção – neste capítulo específico do jogo, com bola, sobretudo não havendo responsabilidades defensivas, Gonçalo Inácio e João Mário são claros upgrades em relação a Feddal e Palhinha.

Aos 32’, surgiu um penálti de Iaquinta cometido sobre Sporar e Jovane converteu o pontapé em golo, com um remate rasteiro.

Tudo fácil – houve boas oportunidades aos 34’ (Sporar), 42’ (João Mário) e 44’ (Nuno Santos) – perante um Sacavenense que chegou um par de vezes à área “leonina”, em dois lances de bola parada.

Iaquinta leva uma história para contar

Na segunda parte, o natural desgaste físico do Sacavenense provocou, inevitavelmente, um jogo mais aberto.

Menos frescos na pressão e na transição defensiva, os jogadores do Campeonato de Portugal pouco fizeram para impedirem Coates de marcar o 4-0. Foi novamente Nuno Santos a “inventar” a jogada e Coates a finalizá-la de cabeça, uma vez mais sem oposição alguma.

Aos 53’, chegou o grande momento do Sacavenense e dos sacavenenses. Num lance de adormecimento “leonino”, Iaquinta, astuto no ataque à bola, pôde finalizar ao segundo poste.

O golo não valeu de muito no resultado, mas valeu, para este guineense de 25 anos, o momento de uma vida. Houve lágrimas e haverá, por certo, uma história para contar à mesa durante muitos anos daquele que é, por agora, um dos melhores marcadores da Taça de Portugal, com quatro golos.

O Sporting ainda teve oportunidades para chegar rapidamente à mão-cheia (Matheus, Inácio, Nuno Santos, Tabata) e o Sacavenense para reduzir (Yuk), mas só perto do final Pedro Marques, chamado para o lugar de Sporar, alterou o resultado: cabeceou para o 1-5 e marcou num lance confuso para fazer a meia-dúzia. O resultado foi fechado por Inácio, de cabeça, aos 90+2’, na última jogada da partida.