Manifestantes incendeiam Congresso da Guatemala

Protestos, que causaram pelo menos 20 feridos, foram dispersados pela polícia com gás lacrimogéneo. Manifestantes denunciam cortes na saúde, educação e defesa dos direitos humanos.

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Manifestantes partiram janelas e incendiaram vários escritórios dos deputados Esteban Biba/EPA
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Reuters/LUIS ECHEVERRIA
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cidade de Guatemala
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Centenas de manifestantes invadiram o Congresso da Guatemala no sábado, partiram janelas e incendiaram vários gabinetes, num protesto contra a aprovação do orçamento de Estado para 2021 e com pedidos de demissão do Presidente Alejandro Giammattei.

Os protestos acabariam por ser dispersados pela polícia, que utilizou gás lacrimogéneo, e o fogo apagado pelos bombeiros. Durante os protestos, nenhum deputado estava no interior do edifício.

De acordo com o El País, na sequência da manifestação junto ao Congresso guatemalteco, foram feitas 22 detenções e há registo de pelo menos 20 feridos.

Enquanto centenas de manifestantes se aglomeravam junto ao Congresso e ateavam fogos, milhares de pessoas protestavam pacificamente no centro da cidade, naqueles que já são considerados os maiores protestos desde que Giammattei chegou ao poder no início do ano. 

Na origem das manifestações está a aprovação do orçamento para 2021, que impõe uma série de cortes na educação, na saúde e na defesa dos direitos humanos, numa altura em que o país enfrenta as consequências da passagem das tempestades Eta e Iota, que causaram a morte de pelo menos 60 pessoas, além de terem destruído milhares de casas e campos de cultivo que sustentam milhares de famílias.

Os cortes no orçamento, no entanto, não incluem os próprios deputados, que viram a verba para refeições no parlamento reforçada em 65 mil dólares, uma medida que aumentou a revolta dos guatemaltecos.

“O Congresso alocou mais dinheiro para as suas refeições, mas não destinou dinheiro para os pobres”, afirmou Diego Herrera, um estudante de 25 anos, à Reuters.

O vice-presidente guatemalteco, Guillermo Castillo, mostrou-se disponível para se demitir juntamente com Alejandro Giammattei, que, para já, parece querer manter-se no cargo e já admitiu a possibilidade de alterar algumas das propostas do orçamento.

Giammatei tomou posse em Janeiro, depois de vencer a segunda volta das presidenciais em Agosto de 2019. Foi eleito com a promessa de um programa liberal para a economia, mas pouco depois de assumir o cargo enfrentou as consequências da pandemia de covid-19.

Além disso, tem tido dificuldade em afastar-se do clima de corrupção que envolve a classe política, empresários e as máfias do narcotráfico, problemas que prometeu combater quando foi eleito.

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