João Paulo Correia: controlo público dos CTT “faz parte das negociações entre o PS e o PCP”

PS voltou ao tema recorrente do controlo público dos CTT em início de votação final do OE 2021 e a menos de mês e meio do fim do actual contrato de concessão do serviço universal dos correios, agora pela voz de João Paulo Correia

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PAULO PIMENTA

Um tema que se repete frequentemente por volta da negociação do OE nos últimos anos, a reentrada do Estado no capital dos CTT para uma posição de controlo foi um dos temas da entrevista de João Paulo Correia ao Eco.

O vice-presidente da bancada do PS afirma, em entrevista à site económico, divulgada esta sexta-feira, que “obviamente faz parte das negociações entre o PS e o PCP, como é público”, o Estado voltar a ter controlo público dos CTT.

Nesta altura é preciso recordar que o Estado, em 2014, pelas mãos do governo liderado por Passos Coelho, alienou os restantes 31,5% do capital dos CTT que ainda detinha, encaixando em duas operações de venda distintas – ambas realizadas sob governo PSD/CDS-PP –, um total de 909 milhões nessa legislatura.

A empresa CTT, cotada na praça lisboeta e integrante do principal índice português, o PSI20, tem hoje a SGPS de Manuel Champalimaud como principal accionista, com 13,2% do capital, estando o restante capital disperso por vários accionistas, nomeadamente fundos e banca, além do free-float.

O que João Paulo Correia veio agora defender é que os que está em causa nas negociações entre socialistas e comunistas é o controlo público dos CTT, na óptica de que “o controlo público dos CTT não significa nacionalizar 100% do capital”, mas sim “adquirir acções” para ser o maior accionista. O que neste caso, relembra o Eco, significa uma posição superior a 13,12%, uma vez que é essa, como acima referido, a percentagem do maior accionista individual neste momento.

“Se o momento para tomar a decisão [de o Estado comprar uma posição nos CTT] é este Orçamento ou é posteriormente, é aquilo que certamente estará em análise”, explica ainda João Paulo Correia, ressalvando que esta é uma matéria “pendente” mas “valiosa” para os comunistas e socialistas – apesar de o PS já ter chumbado a nacionalização dos CTT proposta pelo PC e BE no Parlamento.

Apesar de ser privada, a empresa CTT é a actual concessionária do serviço postal universal, que frequentemente é alvo de críticas de desempenho pela reguladora Anacom. O contrato termina no final deste ano, mas por agora não se sabe em que moldes se fará a atribuição do contrato de concessão a partir de 2021.