Mulher Maravilha 1984, o último blockbuster do ano, vai para streaming nos EUA mas fica no cinema em Portugal

Nos Estados Unidos, o filme terá estreia no dia de Natal em simultâneo nas salas abertas e na HBO Max. Em Portugal estará em exclusivo nos cinemas a partir de 23 de Dezembro.

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Mulher Maravilha 1984 Warner Bros.

Mulher Maravilha 1984, o último blockbuster de um ano arrasador para a indústria do cinema, vai estrear-se em simultâneo no dia de Natal nas salas que estiverem abertas nos Estados Unidos e em streaming, através da plataforma HBO Max. Em Portugal, a estreia continua marcada para 23 de Dezembro, confirmou ao PÚBLICO a direcção de marketing da distribuidora Nos Lusomundo Audiovisuais, e não havendo qualquer acordo com o serviço HBO Portugal para estreias de novos filmes não se prevê que essa possibilidade venha a ser então inaugurada.

Há semanas que se especulava que o destino da sequela do êxito Mulher Maravilha seria o streaming, e a confirmação surgiu na quarta-feira através de um comunicado do estúdio Warner Brothers Pictures em que se detalha também que o filme da super-heroína da DC Comics, com realização de Patty Jenkins, ficará disponível para estreia internacional em sala uma semana mais cedo, a 16 de Dezembro. Para já, a data portuguesa não sofre alterações, mas estará sempre sujeita aos condicionalismos determinados pelo combate à pandemia que abalou o mundo e o sector — e que na última semana motivou encerramentos parciais ou totais em cinemas de todo o país devido ao recolher obrigatório decretado pelo Governo.

Num ano em que todas as grandes estreias de Hollywood foram sendo empurradas para o streaming ou proteladas para um futuro que se espera mais auspicioso  à excepção de Tenet, de Christopher Nolan, que acabou mesmo por chegar aos cinemas no final de Agosto —, Mulher Maravilha 1984 era a última esperança de lucro da Warner, que também produziu o filme de ficção científica de Nolan e cujo grupo detém o canal HBO e suas plataformas de streaming. Tenet fez uma receita global de bilheteira de 298 milhões de euros, dos quais 889 mil euros resultam da venda de bilhetes em Portugal, onde é até agora o quarto filme mais visto de 2020.

“Nestes tempos sem precedentes, temos de ser inovadores na forma como mantemos o nosso negócio em movimento e continuamos a servir os nossos fãs”, diz no comunicado Ann Sarnoff, presidente do WarnerMedia Studios and Networks Group. Os estúdios estão a seguir um de dois caminhos: ou cancelam estreias e esperam por 2021 para mostrar os filmes em carteira, ou abdicam do período exclusivo de estreia em sala para abrir a porta, após anos de braço-de-ferro com os operadores de streaming, à estreia nas plataformas de vídeo online. É neste contexto que Sarnoff evoca os “parceiros na comunidade de exibição” que estejam em condições de mostrar o filme aos norte-americanos mas ao mesmo tempo comenta que “muitos consumidores não podem voltar às salas devido à pandemia”.

O site IndieWire não tem dúvidas e titula: “A estratégia da Warner Bros para Mulher Maravilha 1984 é um pontapé nos dentes dos exibidores”. Em Julho, o estúdio Universal acordara já com os cinemas AMC a estreia em video on demand dos seus filmes (incluindo os que têm a chancela de cinema independente Focus Features) meros 17 dias após a chegada às salas; em Novembro, o mesmo grupo acordou com outra cadeia de exibição, os Cinemark, uma redução para 31 dias da janela de exibição em sala de filmes cujas receitas de estreia ultrapassem os 50 milhões de dólares — embora só preveja a passagem destes títulos para video on demand premium e não para o streaming.

Em 2017, Mulher Maravilha fez 695 milhões de euros em vendas de bilhetes em todo o mundo. A sequela que se estreará em Dezembro voltará a contar com Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright e Connie Nielsen, a que se juntam agora Kristen Wiig e Pedro Pascal. A estreia do novo filme de Patty Jenkins estava prevista para Junho, mês que também deveria ter recebido a sequela de Top Gun. Outro blockbuster que já deveria ter chegado aos cinemas mas ainda não viu a luz do dia é 007: Sem Tempo Para Morrer, igualmente adiado para 2021. A revista Variety escreveu porém em Outubro que estarão em curso negociações para que o 25.º filme da saga James Bond se estreie directamente em streaming (na Apple, Netflix ou Amazon Prime Video).

O filme de Patty Jenkins e Gal Gadot será uma oportunidade para rentabilizar algum investimento, mas também para atrair novos subscritores para o serviço HBO Max, cujo lançamento em plena pandemia não teve o sucesso previsto e não representa ainda uma ameaça para plataformas como a Netflix ou a Disney+ (cujos preços são também mais baixos). No Twitter, a realizadora saudou a oportunidade de estrear Mulher Maravilha 1984 no Natal de 2020, apelando a que o filme seja visto nas salas e referindo que também estará na HBO Max.

Há dias, Jenkins tinha dito à Agência Reuters que, sem apoios, o negócio da exibição corre risco de vida: “Se acabarmos com isto, não será um processo reversível. Podemos perder as idas ao cinema para sempre.” Em Portugal, o mesmo tipo de apelo tem vindo a ser feito pelos representantes do sector, que temem o encerramento definitivo de cerca de metade das salas até ao final do ano. Vários filmes portugueses viram também a sua estreia adiada para 2021.

PÚBLICO -
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A covid-19 abateu-se sobre o mundo do cinema afectando a produção e a exibição de uma forma sem precedentes. Durante meses, e em diferentes partes do mundo, os ecrãs apagaram-se; em muitos países, o seu funcionamento continua a sofrer restrições. Ao mesmo tempo, e apesar das medidas de segurança impostas nas salas, estas não conseguiram ainda cativar um regresso em massa dos espectadores, pelo que o sector da exibição está em agonia. Em paralelo, a força do streaming, amplamente reforçada em contexto de confinamento doméstico, revelou ser uma mais-valia para o consumo de cinema em 2020 e uma espécie de destino contrafeito de filmes como Mulan, Soul – Uma Aventura Com Alma (Disney+), Os 7 de Chicago, Os Pombinhos (Netflix), ou Greyhound (Apple TV+).

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