Covid-19: que testes existem? Quanto custam? O que distingue os “rápidos” dos outros?

Compreenda o que distingue os testes moleculares, dos de antigénio e dos serológicos. Para que servem e quais os pontos fortes e fracos de cada um. Quais são mais fiáveis e quanto custam são algumas das perguntas a que damos resposta.

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Os testes moleculares e os de antigénio são geralmente realizados em amostras do trato respiratório superior, recolhidas com uma zaragatoa PAULO PIMENTA

Que tipo de testes existem e para que servem?
Podemos dividir os testes ao novo coronavírus em duas grandes categorias: os testes que pretendem detectar a presença do vírus no nosso organismo e os que detectam anticorpos (IgM, IgG e/ou IgA) produzidos pelo corpo como resposta à infecção pelo SARS-CoV-2, os chamados testes serológicos. Os testes que detectam uma infecção activa procuram componentes do vírus e dividem-se em duas classes. Há os testes moleculares que procuram o material genético do próprio vírus — neste caso o ácido ribonucleico (ARN) — que usam uma técnica chamada “reacção em cadeia da polimerase” ou RT-PCR, na sigla em inglês, como são conhecidos. E os testes de antigénio que detectam as proteínas da superfície do vírus. 

Que tipo de amostras são necessárias para realizar os diferentes testes?
Os testes moleculares e os de antigénio são geralmente realizados em amostras do trato respiratório superior, recolhidas com uma zaragatoa (uma espécie de cotonete comprido) que se insere no nariz ou na boca até à faringe. Os serológicos analisam componentes do sangue.

Que testes rápidos existem? 
Uma das confusões que existem entre os diferentes tipos de testes tem a ver com a designação de “teste rápido” que tanto se pode aplicar aos de antigénio como aos serológicos. Nos dois casos o diagnóstico é feito in vitro, normalmente de forma individual, e é semelhante a um teste de gravidez. Os resultados demoram entre 10 a 30 minutos. Os RT-PCR são sempre processados em equipamentos laboratoriais automatizados. Também há testes de antigénio feitos em laboratório, que indicam a quantidade de anticorpos encontrada e não apenas se detectaram ou não um tipo de anticorpo. Mas estes são menos usados do que os testes rápidos, que tendem a ser menos sensíveis que os laboratoriais de antigénio. Por outro lado há sistemas baseados na técnica RT-PCR que permitem obter resultados num período mais curto (menos de uma hora), mas continuam a ser “automatizados” e não enquadram a categoria de “teste rápido”. 

Quais são os testes mais fiáveis para detectar uma infecção com o novo coronavírus?
Os RT-PCR continuam a ser os considerados de testes de referência, por apresentarem uma maior fiabilidade. Os de antigénio apresentam, por princípio, uma sensibilidade menor do que os testes moleculares (RT-PCR), particularmente quando a carga viral é mais baixa. Desta forma, no início da infecção, a detecção da presença de uma proteína do SARS-CoV-2 pode ocorrer mais tarde do que a identificação do ARN por PCR. A fase em que com maior probabilidade é possível detectar um antigénio viral num indivíduo infectado, utilizando um teste antigénio rápido, é aquela em que a carga viral é tipicamente mais elevada, ou seja, nos primeiros cinco dias após o início de sintomas da doença.

A Direcção-Geral de Saúde dá preferência à realização de testes moleculares (por exemplo, nos casos de doentes com critério de internamento ou em assintomáticos com contactos de alto risco com casos confirmados) e só no caso dos RT-PCR não estarem disponíveis ou não haver capacidade para dar uma resposta inferior a 12h ou 24 horas, dependendo das situações é que se recomenda a utilização de testes rápidos de antigénio.

Mas nenhum teste é fiável a 100%. Mesmo o RT-PCR pode não detectar a infecção no primeiro ou no segundo dia após a contaminação, quando o vírus ainda está a começar a replicar-se no organismo. A qualidade da recolha feita com a zaragatoa também é essencial para se conseguir um resultado fiável, tanto nos testes moleculares como nos de antigénio. 

Se são menos fiáveis, por que razão as autoridades querem utilizar os testes de antigénio?
Os primeiros testes rápidos de antigénio que apareceram apresentaram muitos falsos negativos, o que levou a comunidade científica a olhá-los com desconfiança. Mas à medida que a tecnologia foi evoluindo foram surgindo novos testes deste tipo, com melhores níveis de sensibilidade.

Há fabricantes que chegam a garantir que o seu teste detecta 97 em cada 100 casos positivos, mas, na realidade, os estudos independentes têm mostrado uma taxa de sensibilidade mais baixa, que segundo uma especialista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, se situa entre os 80 a 90%. A diferença está relacionada, essencialmente, com o tipo de pessoas que realizam o teste: se forem todos sintomáticos o teste é mais eficaz do que se incluir assintomáticos. Mas há vantagens: estes testes são muito mais baratos que os RT-PCR e dão um resultado no máximo em meia-hora. A rapidez pode ser uma vantagem importante para tomar medidas de saúde pública como detectar um surto num lar ou numa escola e separar logo os doentes com maior carga viral.

Quanto custam os diversos testes?
Os testes de antigénio são bastante mais baratos do que os RT-PCR. A Cruz Vermelha realiza testes de antigénio por 20 euros em diversos locais do país, um terço do valor que cobra pelos RT-PCR (60 ou 65 euros). Sessenta e cinco euros é o montante que o Estado paga aos laboratórios privados pelos testes de RT-PCR realizados a pedido do Serviço Nacional de Saúde. Já para os particulares as maiores redes de laboratórios cobram 100 e 101 euros. Por outro lado, os resultados dos testes de antigénio demoram apenas entre 10 a 30 minutos, o que pode ser importante para tomar medidas rápidas de saúde pública. Os serológicos vendem-se em algumas farmácias e clínicas e custam, normalmente, entre 20 e 25 euros.

Porque é que os testes serológicos não devem ser usados para diagnosticar a infecção pelo novo conoravírus?
Estes testes detectam a presença de anticorpos IgM, IgG e/ou IgA para o novo coronavírus, ou seja, a resposta que o organismo deu à infecção pelo SARS-CoV-2. A resposta imunológica na infecção por SARS-CoV-2 é detectada a partir da segunda semana de infecção, ou seja, normalmente cerca de oito a dez dias após o início dos sintomas. O problema é que face a este intervalo de tempo um teste negativo não garante que a pessoa não está infectada. Apenas que, naquele momento, não possui anticorpos detectáveis. A pessoa pode já estar contaminada e ainda não ter anticorpos da doença. O teste negativo pode dar uma sensação falsa de segurança, que pode levar as pessoas a diminuir os cuidados básicos (manter a distância de segurança, usar máscara e lavar as mãos com frequência) e a contaminar quem está próximo. Há testes que permitem visualizar o tipo de anticorpos detectados, os IgM e os IgA estão normalmente associados a uma infecção activa e os IgG a uma infecção passada. Mas como já se disse a pessoa pode ainda não ter anticorpos IgM e IgA e já estar infectada.

Para que servem os testes serológicos?
A nível individual a sua utilidade é muito limitada. Mas a sua utilização pode justificar-se no âmbito de estudos epidemiológicos populacionais para perceber qual a percentagem da população que esteve infectada com o vírus (já que se sabe que os casos confirmados pelos testes mostram sempre apenas uma parte da realidade) ou em investigações que queiram monitorizar a imunidade contra o SARS-CoV-2 na população.