Um piano de cauda “participou” numa cirurgia. E os médicos dizem que a música ajudou

Uma delicada cirurgia a um tumor recebeu uma ajuda extra de um músico com o seu instrumento. Os médicos vêem benefícios, ao passo que o doente, de dez anos, mesmo anestesiado, afirma ter ouvido a melodia.

saude,musica,hospitais,italia,medicina,cerebro,
Fotogaleria
Para Emiliano Toso, ao piano, a experiência “foi muito excitante” Reuters/FONDAZIONE SALESI
saude,musica,hospitais,italia,medicina,cerebro,
Fotogaleria
A operação demorou quatro horas Reuters/FONDAZIONE SALESI
saude,musica,hospitais,italia,medicina,cerebro,
Fotogaleria
O tumor foi totalmente retirado e tudo aponta para que tenha sido um sucesso Reuters/FONDAZIONE SALESI

Já se tinha visto em séries de televisão, mas, de acordo com a agência EFE, esta foi a primeira vez que uma cirurgia incluiu na equipa um músico e um piano de cauda.

O feito foi realizado em Ancona, costa leste de Itália, no Hospital Riuniti, durante uma delicada operação a um menino de dez anos para remover um tumor duplo localizado junto à medula. Enquanto, a equipa liderada pelo neurocirurgião Roberto Trignani estava a realizar a operação de quatro horas, o biólogo molecular e músico Emiliano Toso tocou um piano de cauda no bloco operatório – isto porque, acreditam estes profissionais, a frequência da música tem um efeito terapêutico no corpo.

Para Emiliano Toso a experiência “foi muito excitante”, sobretudo depois de, num breve momento sem som, se terem registado alterações na actividade cerebral do paciente. “Apesar de estar sob anestesia total, o cérebro percebeu a música”, concluiu Toso.

Sobre a cirurgia, avançou a EFE, o tumor foi totalmente retirado e tudo aponta para que tenha sido um sucesso. “Correu tudo bem, não houve complicações. Havia uma atmosfera mágica de completa harmonia”, constatou Trignani, que dirige a unidade de neurocirurgia do Hospital de Riuniti, citado pela agência noticiosa Ansa. A necessidade ou não de outra intervenção será avaliada após a realização de mais exames.

Já o menino não se coibiu de dar conta do seu estado aos jornalistas. “Estou bem”, disse, acrescentando, com toda a naturalidade: “Se eu ouvi a música? Sim, ouvi.”

Sugerir correcção