Portugal está em Split para curar a insónia e a azia

Depois da derrota com a França, selecção portuguesa fecha nesta terça-feira a sua participação na Liga das Nações, frente à Croácia.

Foto
Treino da selecção portuguesa em Split Reuters/ANTONIO BRONIC

Foi uma noite sem dormir o que Fernando Santos enfrentou depois da derrota com a França, no passado sábado, que fechou a porta da Liga das Nações à selecção portuguesa. “Dormir bem, não dormi, azia tivemos todos”, admitiu o seleccionador nacional. Depois da azia e da noite mal dormida, Portugal já não terá nada a ganhar no encontro desta terça-feira em Split, frente à Croácia (19h45, RTP1), a não ser a oportunidade de fechar bem a Liga das Nações em casa do vice-campeão do mundo e provar que a derrota frente ao campeão mundial foi, como disse Fernando Santos, “um acidente de percurso”.

“Temos de transportar para o jogo a capacidade de resposta dos jogadores. Equipas de alto nível ficam sempre insatisfeitas, quase que foi uma catástrofe, mas não foi mais do que um acidente de percurso, que faz parte do futebol. Os jogadores estão com grande determinação de disputar o jogo e de vencer”, garantiu o seleccionador nacional, que rejeitou a ideia de ter desenhado uma estratégia defensiva no confronto com os franceses: “Compreendo e respeito as críticas e sabem como funciono, não tenho é de concordar. Que Portugal jogou para empatar é uma análise que não é séria do jogo. Temos a filosofia de ganhar todos os jogos.”

Se Portugal tivesse jogado para o empate, acrescentou Santos, teria jogado de maneira diferente. “A verdade é que não fomos capazes de jogar como tínhamos planeado. Já vi o jogo para aí três ou quatro vezes. Entrámos bem, mas a partir dos dez minutos tivemos dificuldade em mandar no jogo e permitimos que a França nos empurrasse para trás. Não conseguimos defender bem nem ter posse de bola. Mérito da França, algum demérito nosso, seguramente. Agora, partir para o jogo para empatar, isso não nos passou pela cabeça”, concretizou.

“Estamos muito chateados, isto para nós é um pesadelo. Este troféu sempre valeu para nós. Queríamos ganhá-lo. Durante muito tempo esta competição parecia um parente pobre, agora parece que o mundo vai acabar porque não nos apurámos para a final four. Esta equipa vai continuar a ser uma das grandes equipas do mundo”, acrescentou Santos, que sofreu a 12.ª derrota desde que assumiu a selecção, a terceira contra a França e a quarta em jogos oficiais.

A derrota com a França deixou Portugal afastado da possibilidade de defender o título conquistado na edição inaugural da Liga das Nações, pelo que este jogo, na perspectiva portuguesa, será apenas para salvar o amor-próprio, ao contrário do que acontece com a Croácia. O vice-campeão de 2018 ainda luta pela manutenção na Liga das Nações A com a Suécia, que, à mesma hora, defronta a França - ambos têm três pontos e, para já, a vantagem está do lado dos croatas devido aos golos marcados.

Sem abrir o jogo sobre se irá dar oportunidades aos menos rodados, ou se irá manter a base do que tem sido o seu plano A, Fernando Santos garantiu que a equipa não irá trabalhar apenas para aproximar Cristiano Ronaldo do recorde de Ali Daei de golos marcados na selecção - CR7 vai nos 102, o iraniano marcou 109.

“Não, seguramente não, ninguém vai estar a pensar no Cristiano, em não marcar para dar ao outro, até o Cristiano não gostaria que isso acontecesse. Já há muitos anos que vejo isso acontecer pelas Bolas de Prata ou Ouro, quase nem se dá por isso porque está em disputa um prémio, mas aqui isso não é possível, ele vai marcar quando tiver que marcar, eles não vão ter esse pensamento”, reforçou.