Dias foi a solução em mais uma noite de problemas

Selecção nacional fechou a participação na Liga das Nações com uma vitória em Split, ante a Croácia. Um resultado bem melhor que a exibição, francamente apática.

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LUSA/PAULO NOVAIS

Portugal tinha apenas um objectivo em Split, jogar pelo seu amor-próprio. Provar que a derrota com a França tinha sido, como lhe chamara Fernando Santos, um “acidente de percurso” e devolver ao seleccionador nacional boas noites de sono. A selecção portuguesa acabou por recuperar parte do amor-próprio, com um triunfo por 2-3 frente à Croácia, a fechar a sua participação na Liga das Nações, mas, diga-se, teve quase tudo a seu favor, incluindo superioridade numérica durante 40 minutos, um golo ilegal e uma oferta do guarda-redes.

Acabou por ser Rúben Dias a desequilibrar o jogo para Portugal, marcando o segundo dos seus dois golos no jogo já em tempo de compensação para derrotar o vice-campeão do mundo, para quem o encontro ainda tinha um interesse competitivo, o de se manter na Liga A - quem acabou por descer foi a Suécia, derrotada pela França por 4-2. Mas não foi propriamente a resposta de “alto nível” que Fernando Santos pretendia.

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Houve várias alterações em todos os sectores, incluindo a introdução de Diogo Jota no trio de ataque de Portugal (no lugar de Bernardo Silva), mas não houve ganhos visíveis, nem na dinâmica ofensiva, nem na capacidade de finalização. E até Cristiano Ronaldo parecia engolido pela passividade portuguesa perante uma Croácia longe de ser uma selecção sufocante na defesa. Ainda assim, criava perigo quando a bola andava perto da baliza de Rui Patrício.

Das alas vinha a ameaça portuguesa. Aos 14’, Diogo Jota cabeceou ao lado após cruzamento de Bruno Fernandes, e, aos 19’, foi Mário Rui a colocar a bola certinha para a cabeça de Ronaldo, que escorregou. Mas não era um domínio orgânico do jogo e, durante largos períodos, a selecção parecia atacada por uma tremenda passividade, como que desinteressada do que o jogo lhe pudesse dar.

Disso se aproveitou a Croácia para, perto da meia-hora, ganhar vantagem. Aos 29’, Rúben Semedo cometeu um enorme disparate a lidar com a bola na área e entregou-a a Pasalic. O médio da Atalanta viu bem a entrada de Kovacic, que fez o 1-0 para os anfitriões. Logo a seguir, aos 37’, os croatas quase apontaram o 2-0, mas o cabeceamento de Juranovic, ao segundo poste, saiu ao lado.

Para a segunda parte, Fernando Santos lançou Trincão no lugar de Bruno Fernandes e, pouco depois, a sorte de Portugal começou a virar. Uma falta feia de Rog sobre Cristiano Ronaldo valeu ao médio do Cagliari o segundo amarelo e consequente expulsão. CR7 avançou para o livre, o guardião Livakovic defendeu para o lado, onde estava Rúben Semedo, que encaminhou a bola para Rúben Dias apontar o 1-1, aos 52’.

Com quase meio jogo pela frente em superioridade numérica, Portugal tinha tudo para concretizar a reviravolta, que aconteceu pouco depois, aos 60’. Bola no flanco para Diogo Jota, que a dominou com o braço e fez a assistência para João Félix marcar o 1-2 - houvesse VAR nestes jogos da fase de grupos da Liga das Nações e o golo teria sido invalidado. 

Com o jogo na mão, a selecção portuguesa reentrou em modo desinteressado e a Croácia aproveitou para fazer o empate, aos 65’. Mais uma má abordagem de Rúben Semedo a um lance na área portuguesa deixou Kovacic com espaço para fazer o 2-2. A salvação, essa, voltaria a estar em Rúben Dias que, no tempo de compensação, fez o 2-3 após um erro de Livakovic, que não conseguiu segurar uma bola que tinha vindo pelo ar. 

O central do City aproveitou e deu alguma dignidade à despedida portuguesa de uma competição que tinha conquistado no ano passado. Uma vitória que disfarçou os problemas, mas não os apagou.