Governador de Cabo Delgado diz que não houve decapitação de 50 pessoas em Outubro

Não houve massacre na aldeia de Muatide em Outubro, disse Valige Tauabo, recordando que a notícia sobre 53 jovens que foram degolados é de Abril. Mas a violência jihadista continua e a situação na província “é dramática”, diz bispo de Pemba.

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Milhares de pessoas foram obrigadas a fugir de Cabo Delgado por causa da violência dos últimos três anos RICARDO FRANCO/Lusa

O governador da província moçambicana de Cabo Delgado, Valige Tauabo, desmentiu as notícias que davam conta do rapto e decapitação de 50 pessoas por islamistas radicais em Outubro, na aldeia de Muatide, no distrito de Muidumbe. 

Tauabo, que fez as declarações na quarta-feira, explicou que a última vaga de violência islamista ocorreu entre Outubro e o início de Novembro. Mas frisou que massacres desta dimensão não aconteceram, tendo havido uma no dia 6 de Abril. 

O massacre de 53 jovens ocorreu no dia 6 de Abril. É o que está na memória da província como um dos mais graves massacres cometidos por terroristas”, disse o governador, explicado que as vítimas, da aldeia de Xitaxi, foram degoladas “por se recusarem a ser recrutadas para as fileiras do grupo armado” que identificou como Província Centro-Africana do Estado Islâmico.

“A violência dos jihadistas preocupa-nos muito, porque, de facto, os ataques terroristas estão acausar muitos danos físicos e morais, pois os terroristas queimam casas, destroem bens públicos e causam lutos”, disse Tauabo, citado pela agência Fides, ligada aos missionários católicos.

Há três anos que Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, vive um conflito armado que já fez mais de duas mil mortes e está a causar uma grave crise humanitária. O Governo moçambicano calcula que mais de 400 mil pessoas tenham sido obrigadas a fugir da província e a Amnistia Internacional calcula que 712 mil precisem de ajuda.

A província tem sido um alvo de grupos terroristas, mas o governador de Cabo Delgado garante que nenhuma parte do território é controlada pelos insurgentes.

Se o governador disse que nas últimas semanas não se registaram ataques, o bispo de Pemba, Luiz Fernando Lisboa, considerou que o conflito está a intensificar-se. “Para se ter uma ideia, nos últimos dois dias, o distrito de Muidumbe sofreu sete ataques em sete aldeias”, disse o bispo esta semana.

A organização não governamental que actua em Moçambique Centro para a Democracia e Desenvolvimento explica que “os problemas de comunicação em quase todos os distritos afectados pela insurgência armada tornam difícil apurar” a cronologia dos ataques.

Entre 16 e 29 de Outubro, mais de 11.200 pessoas fugiram para a capital provincial de Cabo Delgado, Pemba, de acordo com dados das Nações Unidas. Quase metade são crianças. Luiz Fernando Lisboa deu outros números, falou em entre 13 e 14 mil pessoas que chegaram aos campos de refugiados de Metuge, muitas delas em 200 pequenos barcos.

“É uma situação dramática para as pessoas que fogem da guerra, de suas aldeias, de suas ilhas. Para se ter uma ideia, nos últimos dois dias, o distrito de Muidumbe sofreu sete ataques em sete aldeias. As pessoas são forçadas a dormir no mato. Quem foge de barco fica até três, quatro, cinco dias no mar, chegando com fome e desidratado”, disse o bispo, citado pela agência Fides. 

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