Andreia Santana faz esculturas para outro mundo

Andreia Santana continua a explorar os objectos enquanto entidades vivas, não encerradas no produto da fabricação humana. Como se tivessem vozes ou fossem animadas por um sopro, para lá de dicotomias e categorias rígidas. No espaço Hangar, em Lisboa, com a exposição The Skull of the Haunted Snail.

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Foto
Daniel Rocha

No espaço Hangar, em Lisboa, encontram-se esculturas de vidro e metal, transparentes e gráficas, que reflectem e cintilam, reproduzindo formas orgânicas, camaleónicas. Num plano mais aproximado, dir-se-ia que são objectos e são esculturas, situados algures entre a alquimia e uma arqueologia inventada. Fazem parte da exposição The Skull of the Haunted Snail, de Andreia Santana (Lisboa, 1991), artista que tem vindo a explorar uma relação com o tempo e o mundo dos objectos. Objectos que podem ser de uso, de culto, artísticos, ferramentas, instrumentos. Ou apenas fragmentos de objectos que, no seu silêncio aparente, podem dizer-nos algo do que o mundo foi ou pode vir a ser. Esclareça-se: as obras da artista não correspondem a meros duplos ou negativos. São objectos que, antes da fabricação da artista, nunca haviam aparecido e existido.