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Entrevista

Aroa Moreno Durán: “Quis ver até que ponto a História afecta a intimidade das pessoas”

A Filha do Comunista, da espanhola Aroa Moreno Durán, não é um romance político. É uma história de exilados espanhóis, em Berlim Oriental, que ilustra a ideia de desenraizamento e da contínua procura de uma identidade que os ajude a estear a vida.

A Filha do Comunista — primeiro romance da espanhola Aroa Moreno Durán (n. 1981), poeta e jornalista — é sobretudo a história íntima de alguém que, sem compromissos ideológicos, se vê arrastado e quase esmagado pelas vicissitudes da História. Katia, a protagonista e narradora, é filha de exilados políticos espanhóis a viverem em Berlim Oriental. Quando o romance começa, Katia é uma criança e corre o ano de 1956. “Nessa altura, todos os prédios eram cinzentos, descascados, esqueletos sustendo um vestido sujo. Mas eu não me lembrava de outra casa senão daquela onde sempre estava frio”, lembra logo numa das primeiras páginas. A narrativa atravessa algumas décadas — primeiro do lado oriental do Muro, depois do lado ocidental — e aos poucos vai iluminando zonas de sombra num quotidiano cinzento que se vai revelando ao leitor pelos olhos da narradora.