Mês de sensibilização para a saúde do homem

Não ignore o cancro da próstata

Muitos homens procuram o médico já em fases mais tardias e quando um cancro da próstata causa sintomas, é geralmente um sinal de doença avançada.

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"Esta é uma doença geralmente silenciosa e assintomática, uma vez que o tumor cresce lentamente" Nuno Ferreira Santos/Arquivo

Novembro é o mês de sensibilização para a saúde do homem e torna-se fundamental alertar para aquele que é o tipo de cancro mais frequente no homem em Portugal e para o seu diagnóstico precoce. Em 2018, e de acordo com dados da Globocan, foram diagnosticados em Portugal mais de 6600 novos casos e morreram 1879 doentes, o que faz deste o quarto tumor com maior mortalidade.

Esta é uma doença geralmente silenciosa e assintomática, uma vez que o tumor cresce lentamente, mas que não deve ser ignorada. Muitos homens procuram o médico já em fases mais tardias e quando um cancro da próstata causa sintomas, é geralmente um sinal de doença avançada. Torna-se necessário contrariar esta tendência! É essencial um acompanhamento médico regular para detectar a doença em fases iniciais e assim contribuir para a redução, de forma significativa, da taxa de mortalidade.

A partir de que idade se deve preocupar com o cancro da próstata? É importante relevar que as doenças da próstata não têm idade e deve manter a sua saúde vigiada. Contudo o cancro da próstata desenvolve-se principalmente após os 65 anos.

De uma forma geral, deve procurar o seu médico se tiver mais de 50 anos. No caso de ter história na família de cancro da próstata ou se for de etnia africana, deve falar com o seu médico a partir dos 45 anos, uma vez que está cientificamente provado que existe um risco acrescido para o desenvolvimento da doença. Os homens com uma mutação genética chamada BRCA2 devem procurar o urologista a partir dos 40 anos. Deverá discutir com o seu médico a importância da realização de um exame de sangue conhecido como PSA, contudo o valor aumentado do PSA não é apenas sinónimo de cancro da próstata, já que há outros motivos para o seu aumento. Actualmente existem outros exames, como por exemplo a ressonância magnética da próstata, que podem ajudar neste diagnóstico. A discussão com o urologista será fundamental para avaliar a necessidade de uma biópsia, que é a única forma de diagnosticar o cancro da próstata.

É igualmente relevante estar atento a determinados sinais e procurar de imediato um especialista se apresentar jacto urinário fraco, frequência urinária aumentada ou incontinência, sangue na urina, dores ósseas, fraqueza nas pernas, entre outros.

A próstata cresce lentamente com o envelhecimento e grande parte dos sintomas apresentados podem ser devido ao seu crescimento benigno. No entanto, estes sintomas não devem ser assumidos como inevitáveis durante o envelhecimento e não deve ser adiada a procura de resposta clínica.

E se for diagnosticado cancro da próstata? A primeira coisa que deve fazer é não desanimar. Ao longo do tempo os avanços na medicina têm trazido novas opções diagnósticas e terapêuticas, que se traduzem numa significativa melhoria de resultados.

O cancro da próstata apresenta comportamentos diferentes consoante a sua classificação. Por isso, e para cada caso, as características da neoplasia a tratar serão cuidadosamente avaliadas, bem como o estado geral de saúde do doente, as diferentes opções de tratamento disponíveis e as preferências pessoais do doente. Consoante o estadio e agressividade da doença, esta pode ser tratada através de cirurgia, radioterapia, Terapia Hormonal, Quimioterapia e/ou vigilância.

O acompanhamento do doente após o tratamento é fundamental, uma vez que é a melhor forma de detectar possíveis alterações na evolução da doença.

Neste contexto de pandemia muitas são as pessoas que têm vindo a adiar a procura de resposta médica o que contribuiu para uma diminuição preocupante no diagnóstico de novos casos de doenças oncológicas. Detectar o tumor numa fase precoce permite tratar com uma taxa de cura que pode ser superior a 95%. As unidades de saúde são seguras tanto para os profissionais como para os doentes, pelo que não deve hesitar em procurar o seu médico.

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