Guerra na Etiópia: Governo diz ter “libertado” região ocidental de Tigré

Há uma semana que o Exército etíope combate as forças da Frente de Libertação do Povo Tigré. Há denúncias de massacres contra civis.

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Voluntário durante sessão de doação de sangue para soldados feridos em Addis Ababa TIKSA NEGERI/Reuters

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, declarou esta quinta-feira que a região ocidental do Tigré foi “libertada”, após uma semana de combates que precipitaram uma nova crise de refugiados em África.

A região onde têm decorrido os combates está isolada, sem comunicações nem com a entrada de meios de comunicação independentes permitida.

O correspondente da Al-Jazeera em Addis Abeba diz que os combates continuam na região do Tigré. “O Governo disse que não irá cessar as operações até que alcance os objectivos de assegurar o desarmamento da FLPT (Frente de Libertação do Povo Tigré), a apresentação da sua liderança à justiça e a prisão dos fugitivos”, disse Mohammed Adow.

O conflito iniciado na semana passada levou a Etiópia para uma nova guerra civil e está já a causar uma crise humanitária. “O Exército está a fornecer assistência humanitária e serviços, está também a alimentar as pessoas”, garantiu Ahmed, que recebeu o Prémio Nobel da Paz de 2019 pelos seus esforços de paz com a Eritreia.

Desde que os combates começaram, mais de dez mil pessoas fugiram da região para o Sudão. Há relatos de massacres de populações civis. A Amnistia Internacional cita testemunhas que descrevem ataques contra trabalhadores dos campos pelo Exército que causaram centenas de mortos esta semana.

As Nações Unidas têm tentado negociar com as duas partes do conflito a abertura de corredores humanitários na região.

A operação militar foi lançada por Ahmed como uma resposta a ataques contra uma base do Exército levados a cabo pela FLPT. Desde então, a região no norte do país tem sido palco de bombardeamentos aéreos e combates terrestres que ameaçam

O conflito aberto entre o Governo central e as autoridades regionais do Tigré é a evolução de uma hostilidade que se instalou assim que Abiy Ahmed se tornou primeiro-ministro, em 2018. A FLTP é um dos quatro partidos regionais e representa a etnia tigré que, apesar de minoritária, ocupava os principais postos de governação da Etiópia desde o fim da guerra civil, em 1991.

Com a eleição de Ahmed, que pertence à tribo oromo, esse domínio dos tigré sobre o aparelho de Estado chegou ao fim. O novo primeiro-ministro fez uma série de remodelações tendo em vista uma maior partilha do poder entre as etnias etíopes, mas a FLTP acusa Ahmed de perseguir os tigré.

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