Crónica

Às vezes o Amor

“Amor fati” é uma expressão latina que significa “amor ao destino”, isto é, um amor que cede ao encontro improvável entre dois seres e que o prolonga ao longo do tempo. O filme de Cláudia Varejão toma essa intuição de partida para nos oferecer um mosaico de histórias de amor, de encontros entre casais, famílias, amigos, animais, e a sua dedicação entre si.

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O cinema, como gesto artístico, surge de um impulso ou de uma intuição que se abre sobre o mundo. É um acto de risco sobre o possível e as suas imensas ambiguidades. É aliciante observar, neste contexto, a forma como a cineasta Cláudia Varejão parte para Amor Fati, a sua mais recente longa-metragem: uma procura por duas metades (pessoas, animais) que se complementam e se “assemelham”. Como escreve, e depois nos lê em voz alta, Ringo, o jovem cego e negro, uma das personagens vibrantes deste filme, numa máquina de braile: “Dizem que os rostos daqueles que se amam tendem a ficar parecidos. As pessoas atraem-se e repelem como se fossem elementos químicos. Mas como reconhecer a pessoa e o caminho certo?”. “Amor fati” é uma expressão latina que significa “amor ao destino”, isto é, um amor que cede ao encontro improvável entre dois seres e que o prolonga ao longo do tempo. O filme de Varejão toma essa intuição de partida para nos oferecer um mosaico de histórias de amor, de encontros entre casais, famílias, amigos, animais, e a sua dedicação entre si. São verdadeiras histórias de afecto e de aceitação de um outro que faz parte das suas vidas.