O que não se vê

Um documentário envolvente onde a realizadora de Ama-san procura filmar o que passa entre dois seres e convidar o espectador a construir a sua própria relação com o que está no ecrã.

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Por querer capturar o que não se vê, não é justo pedir a Amor Fati que explique tintim por tintim ao que vem. Explicar não é o seu propósito: a não-linearidade é, de certo modo, procurada pela realizadora, levando o espectador a procurar uma posição para entender o que está a ver

Cláudia Varejão descreve Amor Fati como um filme sobre os afectos, sobre a intimidade de pessoas para as quais tradicionalmente o cinema não olha. Duplo programa que se resume numa única frase: registar o que não se vê. O que não se vê porque não é visível — os afectos, as emoções, algo impossível de capturar numa imagem em movimento; o que não se vê porque raramente é mostrado — a câmara costuma estar preocupada com aquilo que é visível (pessoas, gestos, locais) e por isso ignora o resto. Razão pela qual, numa primeira abordagem, o sucessor de Ama-san nos parece um filme pouco linear, “descosido”, uma sequência de observações, de registos do quotidiano que se sucedem sem aparente ligação.

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