Bloco lamenta que não se saiba quando chegam os apoios à economia

No final de uma reunião com a CGTP, Catarina Martins estranhou que, “sabendo-se a hora do recolher obrigatório, não se saiba quando é que chega o apoio que é devido àquelas pessoas a quem se pediu para travarem a sua actividade em nome da saúde de todos”.

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Catarina Martins visitou a CGTP e esteve reunida com Isabel Camarinha LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

A coordenadora do BE, Catarina Martins, apontou esta terça-feira a incoerência a algumas das novas regras do estado de emergência, considerando estranho que, “sabendo-se a hora do recolher obrigatório, não se saiba quando é que chega o apoio devido” à economia.

No final de uma reunião com a CGTP, em Lisboa, Catarina Martins respondeu aos jornalistas que “não contesta a necessidade de medidas que previnam o aumento do contágio” uma vez que o “SNS está sob muita pressão”. “Mas é também certo que nas regras que são implementadas agora, nem todas têm uma coerência muito óbvia e, portanto, temos algumas dúvidas”, assumiu.

Uma grande preocupação manifestada pela líder do BE foi o facto de, sabendo-se “a hora a que começa o recolher obrigatório, não se saiba quando é que chega o apoio àquele trabalhador que ficou sem rendimento por causa das regras de contenção da pandemia”. “Nós pedimos a alguns sectores de actividade que suspendam a sua actividade ou que paralisem em parte para preservar a saúde de todos. Assim como o fazemos, temos depois de os apoiar”, defendeu.

Em sectores como a restauração, o turismo, a cultura ou o desporto, para Catarina Martins, é estranho que, “sabendo-se a hora do recolher obrigatório, não se saiba quando é que chega o apoio que é devido àquelas pessoas a quem se pediu para travarem a sua actividade em nome da saúde de todos”.

“A solidariedade tem de funcionar nas duas direcções e se lhes é pedido sacrifício da sua actividade para preservar a saúde pública, é também preciso garantir-lhes os apoios necessários porque a paralisação da actividade tem custos enormíssimos”, apelou.

Contradição gigantesca do PSD

A coordenadora do BE acusou ainda o PSD de uma “contradição gigantesca” já que Rui Rio disse que não faria um “acordo com um partido xenófobo e racista” e agora fê-lo com o Chega nos Açores.

“Eu julgo que o PSD está envolto numa contradição gigantesca. O doutor Rui Rio já disse uma coisa e o seu contrário várias vezes. Disse que não faria um acordo com um partido xenófobo, racista, que apela ao ódio, e fez esse acordo”, respondeu Catarina Martins aos jornalistas, no final da reunião com a CGTP.

Na perspectiva da líder do BE, independentemente dos argumentos do PSD, Rio “está a fazer o que sempre disse que não faria”, sendo este “infelizmente um caminho a que se tem assistido nalguns países da Europa que é quando direita que se diz democrática abre a porta às forças que não são democráticas”, o que tem “custos graves”.

“E se alguém teve alguma dúvida sobre os custos que tem para a democracia e para quem acredita na democracia abrir à porta ao discurso do ódio, xenófobo, autoritário, veja bem o que está a acontecer nos Estados Unidos em que um presidente [Donald Trump] perde as eleições e diz que não se quer ir embora e que não quer sequer que os votos sejam contados”, comparou.

Para Catarina Martins, “o que acontece no resto do mundo valia a pena ser observado pelo doutor Rui Rio”.

“Nestes momentos há sempre quem tenha tentações de discursos que apelam à raiva e à revolta sem nenhuma solução. Que o PSD seja um desses partidos é só uma constatação triste”, lamentou.