Trump despede o secretário da Defesa

Mark Esper já estava à espera da notícia que só agora se concretizou desde antes das eleições. Deixa assim a Secretaria de Defesa ao fim de 16 meses e meio no cargo. Christopher Miller, director de contra-terrorismo, assume a pasta interinamente.

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O secretário de Defesa estava no cargo desde 24 de Junho de 2019 Erin Scott/Reuters

A dois meses e meio do fim do seu mandato como Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump decidiu demitir o seu secretário da Defesa, Mark Esper, e entregar a pasta interinamente ao director do centro de contra-terrorismo, Christopher Miller. A notícia foi avançada pelo próprio chefe de Estado através do Twitter.

“Tenho o prazer de anunciar que Christopher C. Miller, o muito respeitado director do Centro Nacional de Contraterrorismo (confirmado unanimemente pelo Senado), será o secretário de Defesa interino, com efeito imediato”, escreveu Trump.

A notícia não apanha ninguém de surpresa, nem o próprio Esper, que figurava na lista das pessoas a afastar depois das eleições. Ainda há uns dias, a CNN trazia a notícia, citando várias fontes da Administração, de que Esper estava preparado para a possibilidade de vir a ser demitido pelo Presidente.

Várias fontes confirmaram à CNN que Mark Esper tinha uma carta de demissão preparada há já algum tempo para o caso do Presidente confirmar a demissão do seu secretário de Defesa.

Mesmo perdendo as eleições - resultado que continua a não aceitar, apesar das evidências em contrário - e pouco mais tendo a fazer até Janeiro, altura em que Joe Biden assumirá funções, Trump prefere afastar o titular da pasta da Defesa, que está no cargo desde 24 de Junho de 2019, e entregar as funções interinamente ao director de contraterrorismo.

Esper não sai pelo seu próprio pé e gostaria mesmo de se manter no cargo até ao fim, no entanto, tinha a noção de que a relação com o chefe de Estado se tinha deteriorado a um ponto que seria muito difícil continuar, mesmo que Biden ganhasse as eleições. E este despedimento menos de uma semana depois das eleições prova isso mesmo.

O secretário de Defesa assinou a sua própria sentença em Junho, quando se opôs publicamente a que o Exército fosse chamado pelo Presidente para controlar as manifestações de protesto contra a morte de George Floyd pela polícia.

“Digo isto não só como secretário da Defesa, mas também como antigo solado e antigo membro da Guarda Nacional, usar forças no activo num papel de aplicação da lei só deve ser uma opção em último caso e apenas nas situações mais terríveis e urgentes. Não estamos numa situação dessas neste momento”, escreveu Esper na altura, comentando o facto de Trump ter invocado uma lei de 1807, para colocar militares na rua para fazer o trabalho da polícia.