Ferro Rodrigues elogia objectivo de Duarte Pacheco tornar português em língua oficial da União Interparlamentar

Deputado social-democrata foi eleito presidente da União Interparlamentar por 222 votos em 394 votantes. Mandato dura três anos.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES

Eduardo Ferro Rodrigues elogiou nesta quarta-feira o objectivo do deputado social-democrata Duarte Pacheco de tornar o português numa das línguas oficiais da União Interparlamentar, para a qual foi eleito presidente por um mandato de três anos, até 2023. O presidente da Assembleia da República afirmou que esse objectivo é “um motivo de satisfação e orgulho e um sinal de esperança para os milhões de cidadãos que têm o português como a sua língua-mãe”.

O presidente elogiou o deputado, realçando que a eleição por 222 votos em 394 votantes se deve ao mérito, “energia e dinamismo” que Duarte Pacheco sempre demonstrou como membro da delegação da Assembleia da República à União Interparlamentar e pelas funções que ali desempenhou desde 1991. “É, pois, o corolário de anos de dedicação à União Interparlamentar e à sua agenda, que tem temas cada vez mais prementes, como a defesa do multilateralismo e diálogo político, os direitos humanos, a paz e a segurança.”

Ferro Rodrigues fez questão de realçar que a eleição do deputado também se deve ao prestígio de Portugal e das suas instituições junto dos 179 parlamentos membros da união, que representam mais de 6,5 mil milhões de cidadãos. E agradeceu o apoio diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da rede consular, assim como de entidades que votaram no candidato português, como foi o caso dos parlamentos da CPLP, o grupo geopolítico dos 12+, os países da América Latina e os que integram a comunidade de desenvolvimento da África Austral.

“Nas Nações Unidas não há um sistema nacional com um presidente, um governo e um parlamento, mas tem algumas semelhanças. Neste momento, o “presidente”, que é o secretário-geral das Nações Unidas é um português, o presidente do parlamento é português, o conselho parece-me que não o poderemos ambicionar porque não somos membros permanentes e dificilmente lá chegaremos, mas enquanto lá estivemos várias vezes fizemos um bom trabalho”, realçou Eduardo Ferro Rodrigues. “É esse bom trabalho que desejamos que continue agora ao nível parlamentar”, desejou.

Por seu lado, o social-democrata Duarte Pacheco devolveu os agradecimentos pelo apoio de Ferro Rodrigues à sua candidatura, incluindo os contactos que fez para assegurar a votação, quer através dos meios disponibilizados pelo Parlamento – nomeadamente os meios técnicos. E considerou que a sua eleição também se deveu à forma como Portugal é conhecido internacionalmente por estar sempre disponível para “fazer pontes entre culturas e povos”, e pela sua postura de “defesa da democracia, do Estado de direito e das liberdades”, sem que procure “impô-las a ninguém”. O deputado considera que ser português foi “uma mais-valia” para a conseguir ser eleito.

Ainda que o presidente da União Interparlamentar não esteja ali para “pôr em prática a agenda de Portugal”, Duarte Pacheco garante que todas as matérias importantes para Portugal estarão na primeira linha das suas preocupações. Por isso vai tentar que o português seja considerado língua oficial da União, ao lado das actuais: inglês, francês e árabe. Apesar de o português ser já hoje uma das línguas de trabalho na União Interparlamentar, esse é um esforço que é pago através de uma quota pela Assembleia da República. “Se conseguirmos que a União Parlamentar o assuma, fica a porta aberta para as Nações Unidas o formalizarem também.”

Além disso, haverá temáticas importantes sobre as quais agir, como a incontornável pandemia, mas também as migrações, que afectam sobretudo o Mediterrâneo e a América Latina mas também a Oriente os rohingyas; a que se soma o terrorismo e a intolerância entre povos, cultuas e religiões. Duarte Pacheco sinalizou que a União Interparlamentar “é o único fórum onde se pode ter parlamentares israelistas e dos vários países árabes a discutir a temática do Médio Oriente”, com delegações multipartidárias e não apenas dos respectivos governos – mas também com a oposição.