Rio diz que governo de direita nos Açores só terá PSD, CDS e PPM

Líder do PSD fala de “reedição da AD” de Sá Carneiro e considera “insultuoso” perguntar se alinha nas propostas de revisão constitucional do Chega.

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Rui Rio remeteu para o PSD/Açores o desfecho da solução de governação à direitaa LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Rui Rio assume que a solução em preparação para um próximo governo regional dos Açores será uma “reedição da Aliança Democrática” de 1979 entre PSD, o CDS e o PPM, remetendo para a estrutura regional do partido a forma de conseguir os restantes votos na assembleia regional.

“As informações que eu tenho relativamente aos Açores – o partido tem autonomia – é que o partido está a tratar de reeditar a Aliança Democrática do tempo do doutor Sá Carneiro. Uma coligação entre PSD, CDS e o PPM. Faltam só os reformadores, que era um grupo individual”, disse, esta manhã, no final de uma reunião com representantes da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção

Com esta composição governativa, o PSD-Açores assegura 26 deputados na Assembleia Regional mas a maioria absoluta só se alcança com 29 eleitos, o que à direita implica ter o apoio dos dois deputados do Chega e do da Iniciativa Liberal.

Para apoiar uma solução de Governo à direita, o líder do Chega, André Ventura, desafia Rui Rio debater uma proposta de revisão constitucional, depois de a direcção do PSD já ter assegurado que não iria apresentar propostas no âmbito dessa iniciativa, limitando-se a participar nos trabalhos de uma comissão parlamentar que será criada para o efeito.

Rui Rio foi questionado sobre o pedido de esclarecimento por parte do PS em torno de eventuais negociações com o Chega tendo em vista um acordo para a governação da região autónoma, mas não se referiu directamente a possíveis conversações. “O secretário-geral adjunto do PS perguntou se eu estava de acordo com uma revisão da constituição que prevê a castração de pedófilos. Eu tenho bom feitio, mas isso é quase insultuoso”, disse.