Benfica perdeu no Bessa e deixou o Sporting sozinho na frente

Boavista alcançou um triunfo categórico sobre os “encarnados”. Angel Gomes, com um golo e uma assistência, foi a figura da partida.

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LUSA/FERNANDO VELUDO

Gil Gomes entrou para a história do futebol português, mas não faz parte da história do Benfica. Foi campeão mundial de juniores com a selecção portuguesa em 1991, mas não criou raízes no clube onde se formou e teve uma carreira itinerante sempre em trajectória descendente, ao contrário dos companheiros de geração como Luís Figo ou Rui Costa. Passaram 29 anos desde essa final na Luz e o futebol português assiste agora, de perto, à ascensão do filho de Gil. Chama-se Angel Gomes e foi ele a figura maior do Boavista no triunfo no Bessa, sobre o Benfica, po 3-0, no jogo que fechou a 6.ª jornada da Liga portuguesa. 

Com um golo e uma assistência, Angel foi decisivo na primeira vitória da época para os “axadrezados” e na primeira derrota no campeonato para os “encarnados”, que falharam o ataque à liderança e deixaram o Sporting sozinho na frente. Com cinco vitórias nas cinco primeiras jornadas, a equipa de Jorge Jesus perdeu os primeiros pontos nesta época (continua com 15) e está a um ponto dos “leões”, a única equipa da I Liga ainda sem qualquer derrota. Com este primeiro triunfo, os comandados de Vasco Seabra deram um salto grande na classificação, para o 13.º lugar.

Como é que o Boavista conseguiu aquilo que ainda ninguém tinha feito ao Benfica na Liga? Com uma circulação de bola que obrigava o adversário a correr, com uma segurança de passe que ultrapassava facilmente a primeira linha de pressão, criando situações junto à área de Vlachodimos. O Benfica, por seu lado, confiava no bom entendimento da sua dupla atacante (Darwin e Waldschmidt) e essa simbiose quase deu frutos aos 11’, com o uruguaio a meter a bola na baliza de Léo Jardim após passe em profundidade do alemão – só que estava fora-de-jogo e o golo não contou.

Pouco depois, o Boavista chegava à vantagem. Após uma boa jogada pela esquerda, Angel Gomes recebeu a bola na grande área e guardou-a durante alguns segundos até sofrer falta de Everton. Da marca dos 11 metros, foi o jovem inglês emprestado pelo Lille a fazer o 1-0, e, pouco depois, esteve quase a fazer o 2-0, mas o remate foi desviado para canto por Otamendi. 

Lento, complicativo e sem qualquer chama (tirando o sempre lutador Darwin), o Benfica só conseguiu reagir numa bola parada. Aos 30’, Taarabt movimentou a bola para a área num livre descaído pela direita e Vertonghen foi lá cabecear à figura de Léo Jardim. Este poderia ter sido o momento de viragem no jogo, de transformação para o Benfica, mas não foi. E aos 38’, o Boavista dobrou a vantagem. À entrada da área, Angel Gomes deu um toque de calcanhar para a entrada de Elis e o hondurenho, com muita classe, fez o 2-0.

Ao intervalo, Jorge Jesus mudou três. Tirou Gabriel, Pizzi e Everton, lançou Rafa, Seferovic e Weigl, e, como as coisas não mudaram de forma significativa, assumiu o risco com as entradas de Cervi e Diogo Gonçalves. Os “encarnados” ficaram mais expostos aos contra-ataques pela certa do Boavista e, aos 76’, qualquer esperança de pontuar no Bessa ficou praticamente afastada. Paulinho (um dos melhores em campo) levou a bola quase até à linha final, parou na área e Vertonghen, que estava por perto, parou também. O belga deu espaço e o brasileiro esperou até Hamache estar em posição para fazer o 3-0. 

Quanto ao Benfica, caiu com estrondo do seu pedestal de perfeição no campeonato, mas não vai ter tempo para respirar. Na quinta-feira recebe o Glasgow Rangers e, no domingo, será a vez de o Sp. Braga ir à Luz.