Sete políticos pró-democracia detidos em Hong Kong

Detenções remontam ao passado mês de Maio, durante confusão no Parlamento entre oposição e apoiantes do Governo e da China, que culminou com deputados pró-democracia a serem expulsos pelas forças de segurança.

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Raymond Chan foi retirado do Legco pelas forças de segurança a 8 de Maio JEROME FAVRE/EPA
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Eddie Chu tentou trepar uma parede para se sentar no lugar de uma deputada pró-Pequim Tyrone Siu/Reuters

Sete políticos pró-democracia foram detidos na manhã desde domingo em Hong Kong, acusados de obstruir o trabalho parlamentar no Conselho Legislativo (Legco).

Entre os detidos estão Wu Chi-wai, Andrew Wan e Helena Wong, do Partido Democrático, Fernando Cheung e Steven Know, do Partido Trabalhista, e os ex-deputados Eddie Chu e Raymond Chan.

Na origem da detenção está um incidente no Legco no passado dia 8 de Maio, quando deputados pró-demoracria e pró-Pequim se envolveram numa acesa discussão, que levou a que alguns deputados fossem retirados do Parlamento pelas forças de segurança.

Em causa, a nomeação para uma comissão do Legco, cuja função é rever as propostas de lei antes de estas serem analisados pelos deputados. Durante vários meses, até à data do incidente, a comissão esteve num impasse, com os deputados pró-democracia, em minoria, sobretudo devido a uma lei que faz com que metade dos assentos parlamentares sejam eleitos por sufrágio indirecto, a tentarem bloquear a nomeação através de instrumentos jurídicos.

No entanto, no dia 8 de Maio, a deputada Starry Lee, apoiante do Governo e da China, assumiu a liderança da comissão, gerando o caos no Legco, com os deputados pró-democracia a envolverem em confrontos com os apoiantes do Governo e de Pequim.

Eddie Chu tentou subir a uma parede para chegar à cadeira de Starry Lee, e Raymond Chan foi arrastado pelo deputado pró-Pequim Knwow Wai Kweung, antes de ser expulso do Legco por quatro polícias. 

Quase seis meses depois do incidente, sete políticos pró-democracia foram detidos, não existindo qualquer registo de detenções no campo pró-Pequim, o que causou indignação no Partido Democrático, que considerou as detenções “arbitrárias”. “Não vamos recuar perante um regime autoritário”, afirmou o partido em comunicado.

Estas detenções ocorrem perante uma vaga de repressão contra a oposição ao Governo de Carrie Lam e à China, que se intensificou no final de Junho, com a imposição da Lei de Segurança Nacional ao território administrativo controlado por Pequim.

De acordo com a legislação, vista pela oposição pró-democracia como uma forma de silenciar vozes dissidentes e condenada de forma generalizada pelo Ocidente, os actos considerados como secessão, terrorismo ou conluio com forças estrangeiras podem ser punidos com prisão perpétua ou até com a extradição para a China.

Desde a entrada em vigor da lei, segundo o The Guardian, já foram detidas 27 pessoas à luz da Lei de Segurança Nacional.

Na semana passada, o activista Tony Chung, de 19 anos, foi acusado de secessão, com as autoridades a afirmarem que promoveu a independência do antigo território britânico. É a segunda pessoa acusada ao abrigo da nova legislação, depois de Tong Ying-kit, 23 anos, ter sido acusado do mesmo crime por ter gritado slogans e cânticos independentistas num protesto

As sete detenções deste domingo não estão directamente relacionadas com a Lei de Segurança Nacional imposta pela China à região administrativa, mas fazem parte de uma vaga de detenções nos últimos meses contra figuras da oposiçao que incluem, entre outros, o activista Joshua Wong, entretanto libertadoJimmy Lai, proprietário do jornal Apple Daily, ou os deputados Lam Cheuk-ting e Ted Hui

Outras figuras da oposição à China, como Nathan Law, que se exilou em Londres, fugiram de Hong Kong e refugiram-se no Reino Unido, Austrália ou Taiwan.