“Estrela Assustadora”: uma noite de Halloween diferente, mas divertida em Lisboa

Numa noite de Halloween pouco vulgar, num ano marcado pelo confinamento e pelo distanciamento social, as ruas da Estrela ganharam vida com famílias que percorreram as travessas, avenidas e escadarias da freguesia em busca de pistas para chegarem ao tesouro do pirata “Estrela Negra”.

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Luís Newton, presidente da junta de freguesia da Estrela, mascarado de pirata "Estrela Negra" Miguel Esteves/JF Estrela

Apesar das restrições sanitárias e dos elevados números de infecções de covid-19, as crianças da Estrela não viram o Dia das Bruxas cancelado. Em vez disso, puderam participar numa caça ao tesouro organizada pela junta de freguesia da Estrela, com distanciamento e todas as precauções necessárias.

A “Estrela Assustadora” já é tradição de Halloween na freguesia desde 2016, mas num formato muito diferente. “O evento foi iniciado por um conjunto de pessoas que já tinham trabalhado na junta, mas na realidade teve uma dimensão mais comunitária”, diz Luís Newton, presidente da junta de freguesia da Estrela.

O formato original consistia num circuito de “doce-ou-travessura” pela Estrela, com a participação de toda a comunidade. “As pessoas disponibilizavam as casas e as crianças faziam um circuito pelas casas”, explica o presidente. 

Staff da junta de freguesia da Estrela, mascarados para receber as crianças Miguel Esteves/JF Estrela
Um grupo de crianças percorre as ruas à procura de pistas Miguel Esteves/JF Estrela
Luís Newton, mascarado de pirata "Estrela Negra" a oferecer o seu "tesouro" a um grupo de crianças Miguel Esteves/JF Estrela
Pista da "Estrela Assustadora" colada numa parede na freguesia Miguel Esteve/JF Estrela
Grupo de crianças percorre as ruas à procura de pistas com a supervisão de um adulto Miguel Esteves/JF Estrela
Grupo resolve uma das pistas da "Estrela Assustadora" Miguel Esteves/JF Estrela
Luís Newton mascarado de pirata "Estrela Negra" Miguel Esteves/JF Estrela
Grupo de crianças percorre as ruas da Estrela Miguel Esteves/JF Estrela
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Este ano a caça ao tesouro levou as crianças a percorrerem as ruas da freguesia em busca dos seus lugares mais icónicos, de forma a permitir um convívio ao ar livre e com distância de segurança.

“Os grupos começaram por ser de oito, mas com a nova lei adaptámos para cinco. Há sempre um adulto responsável pelas crianças. Cada grupo pode comunicar comigo por e-mail ou telemóvel”, explica Maria Marecos Duarte, organizadora da “Estrela Assustadora” desde 2016, que este ano acontece com o apoio da junta de freguesia.

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Miguel Esteves/JF Estrela

Em busca do pirata “Estrela Negra"

“Quem é D. Quixote?” pergunta um pai ao grupo de crianças de que é responsável. “Quem é o inimigo do D. Quixote?”. A pista é: “Dom Quixote pensou que eram gigantes. Procurem bem na travessa que tem esse nome”. Depois de uma breve explicação, o grupo segue para a Travessa do Moinho de Vento para procurar a próxima pista, de forma a encontrar o tesouro.

Segundo as pistas, reza a lenda que o pirata “Estrela Negra” enterrou o seu tesouro no séc. XVII, e que o seu fantasma irá agora ajudar as crianças a encontrá-lo. “Todas as pistas evocam um mito, uma lenda da Estrela”, diz Maria.

As indicações são personalizadas para cada grupo consoante a idade das crianças e as durações dos percursos variam, para que os grupos não cheguem todos ao mesmo tempo ao pavilhão da junta de freguesia da Estrela, onde a caça ao tesouro termina com Luís Newton, mascarado de pirata “Estrela Negra”, a entregar o tesouro às crianças.

Mesmo assim, durante o percurso os grupos cruzam-se e trocam saudações do outro lado da estrada. São comentados os disfarces de cada um e tiradas fotos à distância, embora as crianças não se possam aproximar para brincar.

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Miguel Esteves/JF Estrela

Luís Newton considera que a caça ao tesouro é uma oportunidade para as crianças descomprimirem. “O evento serve sobretudo para distrair as crianças um pouco e lhes devolver alguma normalidade”, explica. “Desta forma estão criadas as condições para sentirem o que provavelmente teriam sentido se não estivéssemos em situação de pandemia.”

O presidente da junta de freguesia admite que a pandemia “tem gerado muita ansiedade e muito receio também”. Mas defende que “tem havido uma atitude cívica fantástica por parte de todos” e que “a comunidade vai vivendo no dia-a-dia, tentando manter os seus objectivos a médio e longo prazo”, sendo que o evento foi organizado de forma a trazer alguma vida de volta à freguesia.

A procura para o evento foi bastante elevada e os lugares de inscrições esgotaram meio mês antes da noite de Halloween, tendo sido limitados pela pandemia.

No entanto, para aqueles que não se conseguiram inscrever houve um evento paralelo à caça ao tesouro. “Como tivemos muitas inscrições o que criámos foi uma espécie de entrada prévia para aqueles que não conseguiram inscrever-se. Podem vir ao pavilhão e beneficiar desta parte final, sem a caça ao tesouro,” explica.

No final do evento as crianças saem de forma ordeira do pavilhão, já com a recompensa da caça ao tesouro, e abrem espaço para os grupos que se seguem.

“O feedback foi positivo, os miúdos adoraram. Adoraram participar, adoraram resolver as pistas e ficaram muito contentes por terem este bocadinho de normalidade na vida deles que já não é nada normal”, indica Maria.

“Correu muito bem, as famílias chegaram ao pavilhão muito divertidas e isso é um sinal de que de facto valeu a pena e por isso é uma iniciativa a repetir”, conclui Luís Newton.

Texto editado por Ivo Neto