Pior dia da pandemia em Portugal. Máximo de mortes, novos casos e internados em cuidados intensivos

Registaram-se 4656 novos casos de infecção e 40 mortes. O número de internados em unidades de cuidados intensivos também é o mais elevado desde o início da pandemia: 275.

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Paulo Pimenta

Portugal registou novos máximos diários de casos de infecção (4656) e de mortes (40) na quinta-feira. No total, o país contabiliza 2468 óbitos e 137.272 infecções.

Dos novos casos, 2831 (60,8%) foram identificados na região Norte, onde morreram 19 pessoas no último dia. Na região de Lisboa e Vale do Tejo registaram-se 1357 novos casos (29%) e ocorreram 13 mortes. No Centro morreram três pessoas, no Algarve morreram duas pessoas e no Alentejo três.

Com mais 1747 recuperações, o total de recuperados sobe para 77.449. Há mais 2869 casos activos, para um total de 57.355. Este valor resulta da subtracção dos recuperados e dos óbitos ao total de infecções. Os dados foram divulgados na actualização diária do boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde, com informação relativa ao dia anterior.

Maior número de sempre de pessoas em cuidados intensivos

Estão internadas 1927 pessoas (mais 93), das quais 275 em unidades de cuidados intensivos (mais seis). Nunca houve tantas pessoas internadas com covid-19 em Portugal. Também o número de internados em cuidados intensivos é o maior de sempre, ultrapassando aquele que era o valor mais elevado até ao momento (271 pessoas a 7 de Abril).

A taxa de letalidade global no país é de 1,8%. Cerca de 86,7% das pessoas que morreram com covid-19 em Portugal tinham mais de 70 anos: 2139 pessoas.

A região Norte tem o maior número de casos de infecção (61.427) e de mortes (1088) no país. Lisboa e Vale do Tejo contabiliza 57.937 infecções e 980 mortes. O Centro regista 11.735 casos de infecção (mais 334) e 312 mortes, o Algarve conta 2699 casos (mais 57) e 27 óbitos e o Alentejo totaliza 2673 infecções (mais 65) e 46 mortes. Nos Açores há registo de 366 casos (mais oito) e 15 óbitos e a Madeira contabiliza 435 infecções (mais quatro) e nenhuma morte desde o início da pandemia.

“Norte é a região com maior pressão”

O secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, disse nesta sexta-feira, na conferência de imprensa da Direcção-Geral da Saúde, que a média de novos casos diários na última semana (últimos sete dias) foi de 3546, face aos 2363 e 1711, verificados em cada uma das duas semanas anteriores, números superiores aos de Março e Abril que colocam “pressão adicional” sobre o SNS. 

E acrescentou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a responder e continuará a responder à pandemia. Afirmou ainda que foram disponibilizadas, para doentes covid-19, mais 617 camas de enfermaria e mais 93 camas em unidades de cuidados intensivos dentro do SNS.

A taxa global de ocupação de camas de dedicadas à covid-19 é, em enfermarias, de 84% e, em unidades de cuidados intensivos, situa-se nos 81%, segundo o governante. “Continuaremos a enfrentar semanas difíceis, na evolução desta pandemia. Quero deixar claro que a capacidade actual do serviço e do sistema nacional de saúde continuará a ser expandida na medida do necessário para garantirmos os melhores cuidados de saúde a todos num contexto de incerteza e de evolução rápida da pandemia a nível global”, declarou.

Já a taxa de ocupação em unidades de cuidados intensivos, no Norte, na quinta-feira, era de 88%. “É a região do país com uma maior pressão”, disse, acrescentando que, em camas de enfermaria, no Norte, a taxa era de 89%. Já em Lisboa e Vale do Tejo, frisou, em unidades de cuidados intensivos era de 84% e em enfermaria de 82%.

“Volto a realçar que estas capacidades e a alocação de camas, tanto de enfermaria como de unidades de cuidados intensivos, a doentes covid, é uma alocação elástica”, afirmou, acrescentando que “há capacidade de expansão e será utilizada à medida que tal for necessário”.

Tâmega e Sousa é “o ponto mais pressionado”

O secretário de Estado admitiu que “o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa tem sido, neste momento, o ponto mais pressionado relativamente a esta segunda vaga da covid-19”, mas adiantou que “já tem instalações que permitem aumentar a sua capacidade”.

“Quero dizer aqui, de uma forma clara, que tem havido uma grande colaboração de todos os hospitais da região Norte, também das Forças Armadas, da Cruz Vermelha, no sentido de poder ajudar o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa perante o influxo de doentes de covid-19 que foi registado neste momento. Já foram transferidos, aliás, vários doentes para outros hospitais e outros serviços permitindo assim ao Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa dar uma resposta mais eficaz àquilo que é a procura que está a registar adicionalmente”, disse.

Questionado sobre se já foi entregue ao sector privado um plano por parte da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, o secretário de Estado da Saúde disse apenas que “a articulação do SNS com o sector social e privado é uma articulação que existe há décadas e que se mantém em todas as suas vertentes”: “Existe, desde Abril deste ano, uma convenção que permite aos privados poderem efectivamente fazer disponibilização, tanto para doentes com covid-19 como para doentes sem covid-19. Na ARS Norte, neste momento, já existem doentes com covid numa instituição de saúde privada que assinou essa convenção com a ARS Norte”, disse, referindo-se a doentes oriundos do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa.

“Não há aqui uma questão de entrega ou não entrega de planos, há uma disponibilidade que pode ser importante do sector privado e social tanto para doentes com covid, como para doentes sem covid. Sempre trabalhamos com sector privado e social. Vamos continuar a trabalhar”, afirmou.

Ainda sobre a pressão sobre este centro, afirmou: “Os três concelhos que foram colocados com medidas mais restritivas foram colocados por uma razão: exactamente porque estavam a registar um número de casos claramente superior àquilo que se estava a passar no resto do país. E preocupante, em termos daquilo que seria a capacidade de resposta hospitalar. O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa conseguiu, aliás, de forma muito rápida, alterar a sua capacidade para reagir, para responder e para responder a estes doentes”, disse.

E acrescentou: “Realço, mais uma vez, que o SNS funciona em rede e é em rede que deve funcionar, exactamente porque não estamos nunca, ou é impossível garantir que cada hospital consegue reagir em cada momento do seu tempo à situação que lhe surgir naquele momento.”

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