PAN diz que Governo avalia confinamento na primeira quinzena de Dezembro

André Silva salvaguarda que a medida ainda não está fechada. A ideia é preservar o período de Natal.

André Silva não é favoravel  a que o Governo decrete o confinamento
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André Silva não é favoravel a que o Governo decrete o confinamento Miguel Rato/RR

O porta-voz do PAN, André Silva, revelou esta sexta-feira que o Governo não fecha a porta a um confinamento geral na primeira quinzena de Dezembro para preservar o período de Natal, mas salvaguardou que a medida não está fechada e que dependerá daquilo que resultar da posição do Presidente da República uma vez que exige a vigência do estado de emergência.

Esta medida que pode vir a ser assumida pelo Governo foi transmitida aos jornalistas pelo porta-voz do PAN- Pessoas-Animais-Natureza no final da audiência com o primeiro-ministro, destinada a ponderar medidas de combate à covid-19 que possam sair do Conselho de Ministros a título extraordinário deste sábado.

Segundo adiantou, a medida “procura antecipar ou prever aquilo que poderá ser um impacto enorme ao nível do Natal, fazendo com que as pessoas fiquem mais consciencializadas e reduzam os contactos. É preciso que se chegue ao Natal com a possibilidade de juntar a família”, declarou.

André Silva insistiu que um eventual confinamento geral “não é um dado adquirido, mas é uma hipótese que está em cima da mesa, antevendo um agravamento do contexto epidemiológico”. Por outro lado, o deputado especificou que o primeiro-ministro admitiu que o Governo poderá aplicar medidas restritivas para combate à covid-19, incluindo o recolher obrigatório, em concelhos em que a taxa de incidência de contágios atinja 240 por cem mil habitantes nos últimos 14 dias. Este é o número que tem sido usado pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças.

A este propósito, o deputado esclareceu que o PAN “neste momento” não é favorável à aplicação desta medida por entender que “ela é desnecessária”. “Nós sabemos que o contexto actual epidemiológico e os surtos estão a ocorrer nos transportes públicos, em contexto laboral e também naquilo que diz respeito ao regresso às aulas e em contexto familiar e, portanto, é completamente fora deste horário que se verificam estes contágios e estes surtos”, justificou André Silva, afirmando que “neste momento sob pena de reserva de revermos a nossa posição é absolutamente desnecessário decretar-se o recolher obrigatório”.

Na audiência com o primeiro-ministro, André Silva abordou aquilo que diz ser o “desequilíbrio que existe entre o que é pedido e exigido com estas restrições que são, porventura, necessárias, e aquilo que o Governo está a fazer e que, porventura, será pouco em determinadas matérias, nomeadamente no que diz respeito aos transportes públicos”. Alertou para o facto de serem poucos os transportes públicos que têm disponível álcool gel e sublinhou que muitos andam apinhados de gente.

A saúde também esteve em cima da mesa. Quanto ao SNS, o deputado do PAN defendeu a “contratação urgente” de médicos de saúde pública e de enfermeiros, nomeadamente”, e tratou de alertar o chefe do Governo para as medidas que estão a ser pensadas pelo Governo e a percepção que as pessoas têm perante o momento que se vive. “Há aqui um desequilíbrio e no fundo uma percepção por parte das pessoas de que o Governo não estará a fazer tudo [para travar a propagação da pandemia de covid], o que nós também acompanhamos e demos claramente essa nota ao senhor primeiro-ministro”.

“Nós podemos impor determinadas medidas e restringir determinadas liberdades aos cidadãos neste contexto epidemiológico, mas o Governo tem de fazer mais para conter estes surtos que estão a ocorrer um pouco por todo o lado”, acrescentou.

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