Piratas russos atacaram Partido Democrata dos EUA na Califórnia e no Indiana

A nova campanha de ataques e desinformação já tinha sido denunciada pelos serviços secretos norte-americanos, mas agora a agência Reuters revelou alguns dos alvos, todos com ligações ao Partido Democrata e a causas do centro-esquerda.

Foram atacados grupos como o Open Society Foundations, do milionário George Soros
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Foram atacados grupos como o Open Society Foundations, do milionário George Soros Daniel Rocha

Um grupo de piratas informáticos russos que foi acusado pelo Departamento de Estado norte-americano de interferir nas eleições dos EUA, há quatro anos, atacou este ano endereços de correio electrónico das delegações do Partido Democrata na Califórnia e no Indiana, e de importantes organizações de reflexão política em Washington e Nova Iorque. A revelação, feita esta sexta-feira pela agência Reuters, surge na sequência de alertas lançados pelos próprios serviços secretos norte-americanos nos últimos meses.

Na linha de ataque do grupo – conhecido como Fancy Bear – estiveram organizações como o Center for American Progress (CAP) e a Open Society Foundations (OSF), dois grupos mais próximos da esquerda política nos EUA. 

O CAP foi fundado por John Podesta, que foi o director de campanha de Hillary Cinton na eleição presidencial de 2016. Podesta foi um dos alvos preferenciais da interferência russa há quatro anos, quando os seus e-mails foram pirateados (por hackers russos, segundo o Departamento de Estado dos EUA) e depois divulgados pela organização WikiLeaks.

A OFS foi fundada pelo multimilionário George Soros, um dos maiores financiadores de projectos, campanhas e causas de promoção da democracia, e um dos alvos preferenciais de teorias da conspiração nos EUA e de campanhas de desinformação.

Segundo a Reuters, os ataques contra as organizações norte-americanas e contra as delegações do Partido Democrata na Califórnia e no Indiana acontecerem no início do ano e foram detectados pela Microsoft. Nem o Partido Democrata, nem as outras organizações envolvidas, disseram ter detectado ataques bem-sucedidos.

Em Setembro, a gigante da informática disse que descobriu ataques do grupo Fancy Bear contra mais de 200 organizações nos EUA, muitas delas ligadas às eleições deste ano. Segundo a Microsoft, foi encontrado um erro de programação específico que só foi identificado em ataques do grupo russo.

Em Agosto, o Gabinete do Director dos Serviços Secretos norte-americanos revelou a existência de uma nova campanha de ataques e desinformação por parte da Rússia, numa tentativa de prejudicar a campanha do candidato do Partido Democrata, Joe Biden.

Em resposta a estas acusações, a embaixada da Rússia em Washington disse que o país não interfere em assuntos internos dos EUA, negou qualquer ligação ao grupo Fancy Bear e chamou às revelações da agência Reuters “fake news”.

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