Com Alcântara no coração, LisbonWeek propõe quatro meses de visitas guiadas

Vertigens na ponte 25 de Abril, viagens de catamarã, Alcântara verde ou industrial. A LisbonWeek está de volta a partir deste fim-de-semana num formato adaptado aos tempos da pandemia. Desta vez, há passeios até Fevereiro.

patrimonio,artes,arquitectura,lisboa,turismo,ambiente,
Fotogaleria
No primeiro passeio, o foco é o Pilar 7 e a experiência associada à Ponte 25 de Abril Daniel Rocha
patrimonio,artes,arquitectura,lisboa,turismo,ambiente,
Fotogaleria
Daniel Rocha
patrimonio,artes,arquitectura,lisboa,turismo,ambiente,
Fotogaleria
Daniel Rocha
Ponte 25 de Abril
Fotogaleria
Daniel Rocha
Fotogaleria
Daniel Rocha
patrimonio,artes,arquitectura,lisboa,turismo,ambiente,
Fotogaleria
Daniel Rocha

Descentralizar a atenção dos centros históricos e ao mesmo tempo dar visibilidade a bairros que nunca ocupam os destaques dos guias turísticos. Estas duas razões continuam a fazer mexer a LisbonWeek que, este ano, foca as suas atenções no bairro de Alcântara, que se desenvolve a partir do rio Tejo até à A5, entre uma linha pouco recta que vai da Rua da Junqueira, junto à Rua Pinto Ferreira, à Av. de Ceuta.

Mas, para a edição de 2020, a LisbonWeek, nascida há oito anos, reinventou-se para fazer face aos tantos constrangimentos trazidos pelo coronavírus que provoca a doença covid-19. Assim, em vez de uma semana, como se lê no seu nome, o evento prolonga-se por quatro meses, com passeios diferentes em oito fins-de-semana, até final de Fevereiro, e com participações limitadas: há passeios que admitem grupos de apenas dez pessoas, outros de 40. A arrancar, dias 31 de Outubro e 1 de Novembro, o foco é o Pilar 7 e a experiência associada à Ponte 25 de Abril.

A proposta, já para este fim-de-semana, é para entrar no coração do Pilar 7, espantar-se com sala onde se pode observar os pontos de amarração que sustentam parte da estrutura ou assustar-se com o barulho do comboio quando este passa mesmo juntinho à plataforma em vidro, que nos convida a uma percepção vertiginosa da altitude do tabuleiro por onde, diariamente, passam, em média, mais de 150 mil carros.

Pelo caminho, é possível conhecer um pouco mais da história de uma estrutura que alterou toda a área metropolitana da cidade — sobretudo a margem Sul do rio que, até à inauguração desta passagem, na época apenas rodoviária, era quase um deserto, como mostram imagens e uma maquete explicativa, que nos leva a percorrer cem anos de história, desde a segunda década do século XIX, quando a patente do cimento Portland foi aprovada, abrindo caminho a este tipo de construções.

Mas, para lá da história, também há estórias a conhecer e as quais são revelada pelo historiador Pedro Sequeira. Como aquela da ponte ter sido desviada para não perturbar um dos muito palácios que aqui foram construídos: um relato com alguma intriga e muita “cunha”, que não vamos estragar com spoilers

PÚBLICO -
Foto
daniel rocha

O passeio, realizado cinco vezes por dia (às 10h, 12h, 14h, 16h e 18h) para um máximo de dez pessoas de cada vez, tem a duração de 50 minutos e um custo de 6,50 euros e inclui uma performance de dança na sala de espelhos: Proximidade Comigo Mesmo é uma criação de Paula Pinto e Beatriz Mira, “em que se explora a relação de intimidade com o eu, um momento que procura revelar a beleza e a necessidade do reencontro”, lê-se no comunicado da organização.

Para uma experiência diferenciada, a proposta é para que o visitante leve auriculares ou auscultadores e, através de código QR aceder ao site para fazer a visita ao topo do elevador guiado pela história.

Duas semanas depois, nos dias 14 e 15 de Novembro, as atenções permanecem no rio, com um passeio no catamarã ​Go Mary, desenhado e construído em Portugal, recém-chegado a Lisboa. A viagem, de duas horas, zarpa às 11h e pode acomodar até 40 pessoas, menos de um terço da capacidade total da embarcação. Mais uma vez, o anfitrião é o historiador Pedro Sequeira, e sobre o bailado das águas haverá outras danças, com “performances que celebram a liberdade de movimentos de que tanto precisamos”. Com bar a bordo e zona interior coberta, o passeio tem um custo de 20 euros por pessoa.

Um exercício de resiliência

“Se noutra altura, dissesse que não sabia o que iria acontecer daqui a um mês alguém me acusaria de má organização”, brinca Xana Nunes, que tem vindo a dar a cara por um projecto que, conta, começa sempre com as portas todas fechadas, obrigando a um exercício de resiliência. É que, a partir do segundo fim-de-semana do programa, as informações são vagas. Afinal, face ao que se vive em termos de saúde pública, a incerteza faz parte de uma organização que está a postos para se moldar a qualquer formato. E, paralelamente, há um reforço nos conteúdos digitais — tudo para que a pandemia não nos impeça de conhecer um pouco mais.

No site, além dos programas dos passeios, serão disponibilizados podcasts (o primeiro já está disponível, com uma conversa entre Fernando Alvim e o historiador Pedro Sequeira; seguem-se o presidente da Junta de Freguesia de Alcântara, Davide Amado, ou a professora e investigadora do Instituto Superior de Agronomia no departamento de Recursos Naturais, Ambiente e Território, Ana Luísa Soares) e entrevistas a moradores emblemáticos do bairro: Leonor Poeiras irá descobrir mais sobre os seus vizinhos alcantarenses, como o encenador Filipe La Féria, o empresário João Dias (do Café Dias), o dinamizador da Marcha de Alcântara, Francisco Ferreira, ou o director artístico do Teatro Comunitário de Alcântara, Hugo Franco.

“Com tantos conteúdos online queremos chegar a mais pessoas”, explica Xana Nunes, citada em comunicado. E continua: “Vamos fazer esta experiência com este novo formato, adaptado aos dias de hoje e estimamos ter um público mais alargado, não apenas local”. 

Sobre os passeios físicos dos próximos meses, há planos e esboços — e intenções de tornar cada experiência única, ainda que, só mais perto das datas, possam existir compromissos. Nos dois fins-de-semana que se seguem, dias 28 e 29 de Novembro e dias 12 e 13 de Dezembro, as atenções voltam-se para o património edificado do bairro, sem claro esquecer as pessoas que lhe deram e dão vida, com visitas comentadas (e cheias de estórias sumarentas) pelos palácios Burnay, Valle Flor (hoje, o Hotel Pestana Palace) e da Ega, onde funciona actualmente o Arquivo Histórico Ultramarino. 

Em Janeiro, dias 9, 10, 23 e 24, o destaque vai para a Alcântara verde, com passeios pela Tapada da Ajuda e ao ISA, “em experiências de religação com a natureza e para noites de observação dos astros celestes no Observatório Astronómico”. 

Para fechar, em Fevereiro, dias 6, 7, 27 e 28, a LisbonWeek regressa ao rio, desta feita para explorar a Alcântara Industrial, com roteiros que recuperam o carácter fabril do bairro e a actualização deste património para os usos mais contemporâneos.

Sugerir correcção